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Cesta básica volta a subir em dezembro e compromete quase 40% do salário do trabalhador em Camaçari

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Cesta básica volta a subir em dezembro e compromete quase 40% do salário do trabalhador em Camaçari

O valor da cesta passou para R$ 560,27, o que representa um aumento de R$ 25,17 em relação ao mês anterior

Por: Camaçari Notícias

Foto: Freepik

Após o alívio registrado em novembro, o custo da cesta básica em Camaçari voltou a subir em dezembro de 2025, intensificando novamente a pressão sobre o orçamento das famílias. De acordo com levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus XIX, o valor da cesta passou para R$ 560,27, o que representa um aumento de R$ 25,17 em relação ao mês anterior.

Com a elevação, o trabalhador camaçariense precisou comprometer 39,90% do salário mínimo líquido para garantir os alimentos essenciais. Em novembro, esse percentual era de 38,11%. A mudança reduziu ainda mais a margem disponível para despesas como aluguel, energia elétrica, transporte e outros gastos básicos do dia a dia.

Mais horas de trabalho para comprar os mesmos alimentos

O impacto da alta também pode ser medido pelo tempo de trabalho necessário para adquirir a cesta básica. Em dezembro, foram exigidas 81 horas e 12 minutos de jornada laboral, um esforço adicional de 3 horas e 39 minutos em comparação ao mês de novembro. O dado evidencia como pequenas variações de preço têm efeito direto na rotina do trabalhador, especialmente entre aqueles que dependem exclusivamente do salário mínimo.

Outro indicador que chama atenção é o salário mínimo necessário (SMN) estimado para Camaçari. Segundo a pesquisa, o valor ideal para garantir condições dignas de vida à família trabalhadora seria de R$ 4.706,83, mais de três vezes o salário mínimo nacional, atualmente fixado em R$ 1.518,00.

Fim de ano, clima e safra pressionam os preços

A análise da UNEB aponta que a alta registrada em dezembro está associada principalmente a fatores sazonais e climáticos típicos do fim de ano. O principal destaque negativo foi o tomate, que apresentou uma elevação expressiva de 35,94%. A variação é explicada pela transição entre safras, quando a safra de inverno se encerra e a de verão ainda não atingiu seu pico, reduzindo a oferta do produto.

O açúcar também pressionou o orçamento das famílias, com aumento de 21,89%, reflexo de ajustes na cadeia produtiva da cana-de-açúcar e do direcionamento de parte da produção para o etanol. Já a carne bovina teve alta de 9,48%, movimento característico do aumento da demanda doméstica durante as festas de fim de ano. Itens como arroz e farinha de mandioca também acompanharam a tendência de elevação.

Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda e ajudaram a conter parcialmente o avanço do índice. A banana prata registrou redução de 8,64%, a manteiga caiu 7,04% e o leite integral apresentou deflação de 2,89%, oferecendo um alívio pontual em meio à pressão inflacionária do período.

Trajetória instável no último trimestre

A análise do último trimestre de 2025 revela uma trajetória marcada por oscilações no custo de vida em Camaçari. Em outubro, a cesta básica custava R$ 551,70. Em novembro, houve um recuo para R$ 535,10, representando uma redução de 3,01%. No entanto, esse movimento foi interrompido em dezembro, quando os preços atingiram R$ 560,27, o maior valor registrado na série até o momento.

Segundo os pesquisadores, essa oscilação evidencia a instabilidade dos preços locais e como fatores externos, como clima, safra e sazonalidade, podem anular rapidamente ganhos temporários no poder de compra do trabalhador.

Comparativo com Salvador

O levantamento também analisou o comportamento da cesta básica na capital baiana. Enquanto Salvador registrou uma alta mais moderada de 1,55% em dezembro, Camaçari enfrentou uma elevação significativamente maior, de 4,70%. Embora a cesta soteropolitana tenha encerrado o ano com valor nominal mais alto (R$ 607,48), o ritmo de aumento em Camaçari foi quase três vezes superior ao observado na capital.

A pesquisa aponta que esse cenário foi impulsionado principalmente pelo impacto mais acentuado do tomate no comércio local de Camaçari, enquanto a alta da carne bovina apresentou comportamento semelhante nos dois municípios, confirmando a pressão sazonal das festas de fim de ano em toda a região.

Monitoramento contínuo em 2026

Com o fechamento de 2025, a UNEB reforça a importância do monitoramento sistemático do custo de vida em Camaçari. 

A volatilidade observada ao longo do último trimestre demonstra que o mercado local possui dinâmicas próprias, que nem sempre acompanham de forma linear os índices da capital.

Para 2026, o projeto de extensão tem como objetivo consolidar uma série histórica contínua, permitindo identificar padrões de sazonalidade e aprofundar a análise sobre a segurança alimentar e o impacto econômico na mesa das famílias camaçarienses.

Sobre a pesquisa

O levantamento foi realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), por meio do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT) – Campus XIX, em Camaçari.
Monitores: Erick Passos de Assunção; Miguel José da Silva Júnior; Elis Bandeira M. W. Cruz
Responsáveis: Prof.ª Ma. Amanda Maria de Jesus; Prof.ª Dra. Josete Bispo Ribeiro Oliveira
Contato: cestabasicaemfoco@gmail.com

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