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Etanol de milho avança no Brasil e pode alcançar 12 bilhões de litros na próxima safra
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Produção cresce acima de 30% ao ano, amplia presença em novas regiões e aposta em mercados como aviação e transporte marítimo para absorver o aumento da oferta.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Fernanda Pressinott
O etanol de milho vem se consolidando como um dos segmentos que mais crescem dentro da matriz de biocombustíveis no Brasil e já responde por uma fatia significativa do mercado nacional. Segundo o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, o país deve encerrar o atual ano-safra com produção de 10 bilhões de litros, volume equivalente a cerca de um terço de todo o etanol consumido no país.
“O crescimento foi muito rápido. Nos últimos oito anos, o etanol de milho avançou a taxas superiores a 30% ao ano”, afirmou Nolasco em entrevista exclusiva à CNN Agro. Para a próxima safra, que começa em abril, as projeções preliminares indicam uma expansão de aproximadamente 20%, o que pode elevar a produção para algo próximo de 12 bilhões de litros.
Com a rápida ampliação da oferta, o setor tem buscado criar novos mercados consumidores. A projeção da Unem aponta que, na safra 2026/2027, a produção nacional de etanol poderá superar os 4 bilhões de litros adicionais, sendo 2 bilhões oriundos do milho e outros 2 bilhões da cana-de-açúcar. Esse volume representa um acréscimo entre 10% e 12% na oferta total em apenas um ciclo.
“O consumo projetado cresce cerca de 2%, enquanto a oferta pode crescer mais de 10%. Isso exige responsabilidade do setor”, avaliou Nolasco. De acordo com ele, existem três caminhos principais para absorver esse aumento: expandir o consumo interno em regiões onde o etanol ainda é pouco utilizado, substituir a gasolina nos mercados já consolidados e desenvolver novas aplicações no mercado internacional.
Consumo concentrado
Atualmente, o consumo relevante de etanol hidratado está concentrado em apenas seis estados produtores: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Em outras regiões, como Sul, Norte e Nordeste, o avanço é limitado pelo preço elevado. “Onde não há oferta, o preço fica próximo ao da gasolina e o consumidor não cria o hábito de consumo”, explicou o presidente da Unem.
Nesse cenário, as biorrefinarias de milho podem contribuir para a descentralização do mercado. Somente neste ano, oito novas plantas devem ser inauguradas em diferentes regiões do país. Os investimentos seguem concentrados no Centro-Oeste, mas também avançam para o Sul e para a região do Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Há projetos em cidades como Balsas (MA), Luiz Eduardo Magalhães (BA) e Uruçuí (PI).
No Sul, onde três novas unidades estão previstas, o crescimento ocorre com plantas que utilizam trigo e triticale como matéria-prima, aproveitando grãos sem qualidade para panificação. “Não se trata de usar trigo que iria para a alimentação humana. É um trigo que não tem destino nobre e acaba sendo aproveitado de forma industrial”, ressaltou Nolasco.
Expansão do parque industrial
Atualmente, o Brasil conta com 25 biorrefinarias de etanol de milho em operação. A expectativa é que esse número chegue a cerca de 33 unidades até o fim de 2026, considerando empreendimentos em construção ou em fase final de implantação. Além disso, outros 20 projetos estão em fase de estudo.
Segundo a Unem, o país tem capacidade para dobrar a produção até aproximadamente 2032, alcançando algo em torno de 20 bilhões de litros. No entanto, Nolasco destaca que novos investimentos dependem diretamente da criação de demanda. “Temos espaço para crescer, mas isso precisa ocorrer de forma sustentável”, pontuou.
Novas aplicações
Além do mercado doméstico, o setor aposta em aplicações de médio e longo prazo, como o uso do etanol na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), no transporte marítimo e na exportação para países que ampliam a mistura de etanol à gasolina.
“Nós podemos ser grandes demais para o mercado atual no curto prazo, mas ainda muito pequenos para mercados globais como navegação e aviação”, afirmou Nolasco. Segundo ele, apenas uma substituição parcial de combustíveis fósseis no transporte marítimo mundial já seria superior a toda a produção brasileira atual.
“Temos um enorme potencial para crescer, mas isso precisa ser sustentável”, concluiu o presidente da Unem.
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