Adolescente investigado por estupro coletivo em Copacabana se entrega à polícia no RJ
Publicado em
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies
Notícias
/
Economia
/
Redução da jornada de trabalho pode gerar 4,5 milhões de empregos, aponta estudo da Unicamp
Economia
Dossiê elaborado por 63 especialistas sustenta que Brasil tem condições econômicas e tecnológicas para trabalhar menos sem prejuízo ao PIB ou às empresas
Por: Camaçari Notícias
Foto: Getty Images
Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indica que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
O estudo integra o Dossiê 6x1, documento produzido por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do trabalho e representantes sindicais — reunindo 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida. A principal conclusão é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos.
O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e rebate o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou ampliar a insolvência das empresas.
“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o dossiê aponta que cerca de 21 milhões de trabalhadores cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% dos ocupados no país trabalham mais de 40 horas por semana, o que, segundo o estudo, desmonta a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.
A pesquisadora também chama atenção para os impactos da sobrecarga laboral. Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis de trabalho — apenas no emprego formal.
A redução da jornada poderia atingir diretamente 76 milhões de trabalhadores, caso seja adotada a escala 4×3, e beneficiar cerca de 45 milhões na hipótese de migração para 40 horas semanais em escala 5×2.
O levantamento da Unicamp se soma a análises técnicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que publicou, em fevereiro de 2026, nota técnica indicando que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que, segundo o órgão, não geraram desemprego.
Nos principais setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto estimado no custo operacional seria inferior a 1%.
A mudança na jornada de trabalho é uma das prioridades do governo federal para 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a reforma, associando-a às transformações tecnológicas das últimas décadas.
“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”, questionou o presidente em entrevista no início do mês. “Um jovem, uma menina, não quer mais se levantar às 5h da manhã e ficar até 6h da noite dentro de uma fábrica pegando ônibus lotado. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito.”
Para Lula, o debate deve envolver Congresso, empresariado e trabalhadores. “O dado concreto é que está na hora de a gente fazer uma mudança na jornada para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, afirmou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, lidera o diálogo com o Congresso e afirmou que há avanços nas negociações para votação ainda no primeiro semestre.
“A proposta que estamos construindo é de, no máximo, 5×2, 40 horas semanais, sem redução de salário. Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores”, declarou.
Segundo Boulos, experiências internacionais reforçam a viabilidade da medida. A Islândia, ao reduzir sua jornada para 35 horas em 2023, registrou crescimento econômico de 5% e aumento de 1,5% na produtividade. No Japão, um programa da Microsoft com escala 4×3 elevou em 40% a produtividade individual dos funcionários. No Brasil, pesquisa da FGV com 19 empresas que reduziram a jornada apontou que 72% registraram aumento de receita.
A última redução da jornada legal no Brasil ocorreu com a Constituição de 1988, quando o limite caiu de 48 para 44 horas semanais, em um contexto de recessão, inflação elevada e desemprego. “Mesmo assim, as empresas não quebraram, nem se gerou desemprego”, afirma Marilane Teixeira.
Siga o CN1 no Google Notícias e tenha acesso aos destaques do dia.
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Publicado em
Economia
06/03/2026 21:25
Economia
06/03/2026 17:05
Economia
06/03/2026 12:35
Economia
06/03/2026 11:00