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Inflação acelera em março, surpreende previsões e expõe pressão dos combustíveis no bolso do brasileiro
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Dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Por: Camaçari Notícias
Foto: Freepik
A inflação oficial do país voltou a ganhar força em março e superou as expectativas do mercado financeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,88% no mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,14%.
O resultado veio acima das projeções de economistas, que estimavam alta de 0,7% no mês e inflação anual em torno de 4%. Apesar da surpresa, o indicador ainda permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece centro de 3% com limite de até 4,5% em 2026.
A principal pressão inflacionária partiu do grupo Transportes, que registrou alta de 1,64%, mais que o dobro do observado em fevereiro. O avanço foi impulsionado sobretudo pelos combustíveis, que subiram 4,47% no período.
A gasolina teve papel decisivo no resultado, com alta de 4,59% e impacto de 0,23 ponto percentual no índice geral. Também houve forte elevação no óleo diesel, que saltou 13,90%, enquanto o etanol avançou 0,93%. Já o gás veicular foi o único a registrar queda, de 0,98%.
Segundo técnicos do IBGE, fatores externos tiveram influência direta sobre os preços. Tensões geopolíticas envolvendo o Irã afetaram o comércio global de petróleo, pressionando custos internacionais. No cenário doméstico, reajustes recentes da Petrobras também contribuíram para o repasse ao consumidor.
Sem o impacto da gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Ao excluir todos os combustíveis, a inflação cairia ainda mais, para 0,64%, evidenciando o peso do setor energético no custo de vida.
Além dos transportes, o grupo Alimentação e bebidas também apresentou forte aceleração, passando de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março. Os alimentos consumidos em casa puxaram o índice, com alta de 1,94%.
Entre os principais vilões estão itens básicos da mesa do brasileiro. O tomate disparou 20,31%, seguido pela cebola (17,25%) e pela batata-inglesa (12,17%). Em contrapartida, alguns produtos registraram queda, como a maçã (-5,79%) e o café moído (-1,28%).
Outros grupos tiveram variações mais moderadas. Despesas pessoais subiram 0,65%, influenciadas pelo aumento nos preços de atividades culturais, enquanto Saúde e cuidados pessoais avançaram 0,42%, com destaque para os planos de saúde.
Diante da pressão inflacionária, especialmente dos combustíveis, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a alta dos preços. O pacote, estimado em R$ 30,5 bilhões, busca amenizar os impactos no curto prazo, mas o cenário segue desafiador, principalmente diante das incertezas externas.
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