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Economia
Nova resolução do CMN impede contratos de eventos sobre política e reality shows; medida não afeta bets esportivas
Por: Camaçari Notícias
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O Banco Central tornou pública nesta sexta-feira (24) uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a oferta e negociação de apostas atreladas a temas políticos, eleitorais, sociais e culturais no país. A medida, que entra em vigor em 4 de maio, visa regulamentar os chamados "contratos de evento", impedindo a atuação de plataformas internacionais que operam com lógica de mercado financeiro sobre resultados de entretenimento e eleições.
A norma, aprovada originalmente em 23 de abril, estabelece uma linha clara entre o que é considerado investimento e o que se enquadra em apostas proibidas sob a ótica do sistema financeiro. Com a nova regra, plataformas como Kalshi e Polymarket, famosas globalmente por permitirem posições financeiras sobre o desfecho de eleições presidenciais ou vencedores de reality shows, ficam impedidas de oferecer tais produtos a usuários em território brasileiro.
Apesar da restrição, a resolução preserva a negociação de contratos ligados a indicadores econômicos e do mercado financeiro. Seguem permitidos derivativos baseados em inflação, taxas de juros, câmbio, ações e preços de commodities, além de variáveis econômicas passíveis de comprovação técnica.
A responsabilidade por detalhar as regras operacionais e fiscalizar o cumprimento da medida será da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um ponto crucial da resolução é a sua abrangência: a proibição vale para qualquer produto ofertado no Brasil, mesmo que os contratos sejam negociados ou liquidados em plataformas no exterior. Isso fecha o cerco contra corretoras que tentam captar clientes brasileiros para mercados preditivos globais.
É importante destacar que a nova regulamentação não afeta as bets esportivas já licenciadas no Brasil. A distinção ocorre pela natureza jurídica e supervisora:
Contratos de Evento: São tratados como derivativos por operarem com preços flutuantes baseados em probabilidade, ficando sob a regulação do CMN e da CVM.
Bets Esportivas: Seguem sob a supervisão do Ministério da Fazenda, operando com o modelo de cota fixa e prêmios determinados no ato da aposta.
Dessa forma, o governo busca evitar que o mercado de capitais seja utilizado como fachada para jogos de azar em temas sensíveis, como o processo eleitoral, garantindo que os derivativos cumpram sua função original de proteção financeira (hedge) e especulação regulada sobre ativos econômicos.
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