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Trabalhador precisa dedicar mais de 90 horas de trabalho para comprar a cesta básica em Camaçari

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Trabalhador precisa dedicar mais de 90 horas de trabalho para comprar a cesta básica em Camaçari

Pesquisa da UNEB revela que alimentação já compromete 44,45% da renda líquida de quem recebe um salário mínimo; tomate liderou a alta dos preços em maio.

Por: Camaçari Notícias

Foto: ©iStock/Giselleflissak

Antes mesmo de pagar aluguel, contas de água, energia elétrica, transporte ou medicamentos, o trabalhador de Camaçari já precisa destinar quase metade da renda líquida apenas para garantir a alimentação básica da família. A realidade é apontada pelo Boletim Cesta Básica em Foco, elaborado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que revela o avanço contínuo do custo de vida no município e a redução do poder de compra da população.

Os dados, referentes aos preços coletados durante o mês de maio de 2026, mostram que a cesta básica passou a custar R$ 666,56, registrando aumento de 4,83% em relação ao mês anterior. Com isso, um trabalhador que recebe um salário mínimo precisou comprometer 44,45% da renda líquida apenas para adquirir os 12 alimentos considerados essenciais pela metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Outro indicador evidencia o impacto da inflação sobre o orçamento das famílias. Em maio, foram necessárias 90 horas e 28 minutos de trabalho para comprar a cesta básica. Em outras palavras, mais da metade da jornada mensal de um trabalhador foi destinada exclusivamente à aquisição de alimentos básicos, antes mesmo de considerar outras despesas indispensáveis do dia a dia.

Entre os produtos pesquisados, o tomate foi o que apresentou a maior alta no período. O alimento registrou aumento de 31,49%, fazendo o custo mensal estimado na cesta básica passar de R$ 100,05 para R$ 131,56, considerando a quantidade prevista na metodologia da pesquisa. Segundo a UNEB, o tomate voltou a exercer forte influência sobre a inflação dos alimentos em Camaçari.

Além do tomate, outros itens também pressionaram o orçamento das famílias. O feijão teve alta de 9,41%, enquanto o açúcar aumentou 9,21%. Em contrapartida, alguns produtos apresentaram redução de preços. A banana-prata registrou queda de 12,11%, seguida pela manteiga, com recuo de 9,53%. O pão francês permaneceu praticamente estável no período.

De acordo com a análise do boletim, a elevação dos preços está associada à menor oferta de alguns produtos agrícolas, ao aumento dos custos de produção e ao encarecimento do transporte. O estudo também cita avaliação do gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, Fernando Gonçalves, que atribui parte da pressão inflacionária à redução da oferta agrícola e ao aumento dos custos logísticos, influenciados pelos combustíveis.

Outro dado que chama atenção é a estimativa do salário mínimo necessário para suprir as despesas básicas de uma família. Segundo a pesquisa, seriam necessários R$ 5.599,79, valor equivalente a 3,45 vezes o salário mínimo vigente, para atender às necessidades essenciais de um núcleo familiar.

O levantamento também demonstra que a pressão sobre o orçamento das famílias vem se intensificando. Entre janeiro e maio de 2026, a cesta básica acumulou alta de 23,16%, passando de R$ 541,22 para R$ 666,56. O aumento de R$ 125,34 em apenas cinco meses evidencia que a alimentação continua sendo um dos principais fatores de impacto no custo de vida dos camaçarienses.

Produzido pelo Projeto Cesta Básica em Foco, do Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) da UNEB Campus XIX, o estudo acompanha mensalmente os preços dos 12 itens que compõem a cesta básica da Região Nordeste, utilizando metodologia baseada nos critérios do DIEESE. O levantamento serve como referência para monitorar a evolução do custo da alimentação e os efeitos da inflação sobre a renda das famílias em Camaçari.

Fonte: Boletim Cesta Básica em Foco – dados referentes ao mês de maio de 2026, elaborado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XIX, com metodologia do DIEESE.

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