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Correios suspendem fechamento de agências para evitar greve enquanto buscam R$ 7 bilhões para enfrentar crise

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Correios suspendem fechamento de agências para evitar greve enquanto buscam R$ 7 bilhões para enfrentar crise

Estatal congela medidas de reestruturação até o fim de julho, mantém plano de redução de despesas.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os Correios decidiram suspender temporariamente parte das medidas previstas em seu plano de reestruturação para evitar uma greve nacional dos trabalhadores. A estatal congelou o fechamento de agências, manteve benefícios pagos aos atendentes e adiou mudanças na operação logística enquanto busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para enfrentar a pior crise financeira dos últimos anos.

A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Somente no primeiro trimestre de 2026, o déficit já alcançou R$ 3,1 bilhões, pressionando a direção a buscar novas alternativas para preservar as operações e equilibrar as contas.

A suspensão das medidas foi comunicada aos sindicatos por meio de uma carta enviada pela direção dos Correios. O acordo temporário vale até 31 de julho e evitou a paralisação nacional que estava prevista para a última terça-feira (7).

Entre as decisões adiadas estão o fechamento de unidades de atendimento, o fim da gratificação de R$ 500 paga aos empregados que atuam diretamente no atendimento ao público — conhecida como AAG e Quebra de Caixa e a implantação do novo sistema de dimensionamento da distribuição, responsável por reorganizar os recursos logísticos das entregas.

Apesar do recuo nessas ações, os Correios afirmaram que o restante do plano de reestruturação continua em andamento.

Em nota oficial, a empresa informou que a suspensão é limitada aos temas negociados com os representantes dos trabalhadores.

"A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade", informou a estatal.

Fechamento de agências fica abaixo da meta

O adiamento compromete uma das principais metas de redução de despesas. O plano previa o encerramento de mil agências e centros de tratamento, com expectativa de gerar economia de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.

Até o momento, apenas 256 unidades foram desativadas, deixando o cronograma bastante distante do objetivo inicial.

A paralisação desse processo também interfere no novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), elaborado para atingir cerca de 7 mil empregados lotados nas unidades que ainda seriam fechadas.

Primeiro PDV teve baixa adesão

A primeira etapa do programa de desligamento voluntário também ficou abaixo das expectativas da empresa.

A meta inicial era reduzir o quadro em 10 mil funcionários, porém somente 3.075 empregados aderiram ao programa. A economia obtida foi estimada em R$ 700 milhões, metade dos R$ 1,4 bilhão projetados inicialmente.

Agora, os Correios trabalham com uma estimativa mais modesta e pretendem desligar entre 2 mil e 3 mil servidores.

O plano de reestruturação foi elaborado no ano passado por exigência do governo federal como condição para que o Tesouro Nacional autorizasse um auxílio financeiro anterior de R$ 12 bilhões à estatal.

Empréstimo de R$ 7 bilhões e contrato com o Banco do Brasil

Enquanto tenta reduzir despesas, a direção dos Correios negocia um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar o caixa e manter as operações da empresa.

Nesta semana, a estatal também firmou um contrato de R$ 2,3 bilhões com o Banco do Brasil para prestação de serviços postais pelos próximos cinco anos. A contratação foi realizada por dispensa de licitação.

Segundo o Banco do Brasil, a escolha ocorreu por inviabilidade de competição, considerando que os Correios possuem estrutura operacional com cobertura nacional capaz de atender todas as regiões do país, inclusive localidades remotas.

O contrato contempla a distribuição de cartões de crédito e débito, talões de cheque, correspondências destinadas aos clientes, transporte de malotes entre agências e envio de notificações oficiais, tanto em território nacional quanto internacional.

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