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Tarifaço dos EUA deve afetar exportações, mas preço dos alimentos no Brasil tende a ficar estável
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Especialistas ouvidos pela CNN Agro avaliam que efeitos sobre a inflação de alimentos tendem a ser limitados, enquanto cadeias exportadoras podem sentir impactos mais diretos.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros deve provocar reflexos pontuais em alguns segmentos da economia, mas não deve causar mudanças significativas nos preços dos alimentos no mercado interno. A avaliação é de especialistas ouvidos pela CNN Agro, que consideram o impacto macroeconômico da medida limitado, apesar das dificuldades que algumas cadeias exportadoras poderão enfrentar.
Segundo o analista da G5 Partners, Gabriel Barros, a baixa participação do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reduz a capacidade de um choque comercial provocar efeitos amplos sobre a economia.
"O efeito é negativo, mas bastante marginal. Não devemos observar uma desaceleração relevante da atividade econômica nem uma deterioração substancial da balança comercial em função dessas tarifas."
Na análise do economista, os reflexos dependerão de cada setor e da capacidade das empresas de encontrar novos mercados para seus produtos. Em segmentos onde essa diversificação é possível, as perdas tendem a ser menores. Já em atividades fortemente dependentes do mercado americano, como a exportação de ferro-gusa, a situação pode ser mais delicada.
Caso essas empresas não consigam redirecionar as vendas ao exterior, parte da produção poderá ser destinada ao mercado interno, elevando a oferta e pressionando os preços para baixo, com impacto direto nas margens de lucro.
O pesquisador Felippe Serigati, do FGV Agro, também afirmou à CNN Agro que dificilmente o tarifaço terá influência relevante sobre a inflação dos alimentos. Para ele, mesmo que algum reflexo seja percebido, ele será pequeno diante de outros fatores que hoje exercem muito mais influência sobre o agronegócio.
"Em teoria, poderia haver algum efeito sobre a inflação de alimentos, mas, se existir, será muito marginal. E mais do que isso, será muito difícil decompor quanto desse movimento decorreu das tarifas."
Serigati lembra que o setor enfrenta diversos desafios simultaneamente, como os impactos da guerra no Oriente Médio, fenômenos climáticos como o El Niño e dificuldades na cadeia de fertilizantes. A paralisação de operações industriais por falta de enxofre reduziu a produção de fertilizantes fosfatados, considerados essenciais para várias culturas agrícolas.
Outro fator apontado pelo pesquisador é o custo elevado do crédito rural. Na avaliação dele, oscilações cambiais motivadas por fatores políticos ou pelo cenário internacional tendem a influenciar muito mais os preços internos do que a nova tarifa americana.
"Qualquer movimento mais intenso do câmbio acaba gerando um efeito que passa por cima desses impactos secundários do tarifaço."
Para os especialistas, os maiores prejuízos deverão ficar concentrados justamente nas cadeias produtivas diretamente atingidas pela medida, enquanto o consumidor brasileiro dificilmente perceberá mudanças relevantes nos preços dos alimentos.
"O tarifaço incomoda muito mais os setores atingidos do que o mercado interno. Não significa que o efeito seja nulo, mas, se ele aparecer, será bastante marginal e muito difícil de identificar diante de tantos outros choques que hoje influenciam os preços dos alimentos", enfatiza Serigati.
Gabriel Barros também destaca que, apesar da repercussão política da decisão americana, os dados indicam que os impactos econômicos devem permanecer restritos.
"A experiência mostra que grandes anúncios nem sempre se traduzem imediatamente em mudanças significativas no comércio. O acordo com a União Europeia é um bom exemplo: apesar de ser muito positivo em tese, até agora produziu efeitos bastante modestos sobre as exportações brasileiras. Da mesma forma, não devemos esperar um impacto macroeconômico expressivo das novas tarifas americanas."
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