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Tomate fica quase 19% mais barato e puxa queda da cesta básica em Camaçari

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Tomate fica quase 19% mais barato e puxa queda da cesta básica em Camaçari

Dados referentes aos preços coletados em junho mostram que recuo do hortifruti interrompeu sequência de quatro meses de alta da cesta básica; feijão, porém, voltou a subir

Por: Camaçari Notícias

Foto: Magnific

Depois de meses pesando no bolso dos consumidores, o tomate deu um alívio às famílias de Camaçari. Dados referentes aos preços coletados durante o mês de junho de 2026 mostram que o produto ficou 18,73% mais barato, tornando-se o principal responsável pela queda de 3,22% no valor da cesta básica no município. O levantamento é do Boletim Cesta Básica em Foco, elaborado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XIX.

Segundo a pesquisa, a cesta básica passou de R$ 666,56, em maio, para R$ 645,12, em junho. A redução interrompe uma sequência de quatro meses consecutivos de alta, mas ainda não representa uma recuperação do poder de compra das famílias, já que o custo da alimentação permanece acima do registrado no início do ano.

O tomate foi o produto que apresentou a maior variação negativa entre os 12 itens pesquisados. Na composição da cesta básica, o custo mensal estimado com o alimento caiu de R$ 131,56 para R$ 106,92, refletindo diretamente na redução do valor total da cesta. De acordo com a UNEB, esse foi o principal fator responsável pelo recuo observado no mês.

Além do tomate, outros alimentos também contribuíram para reduzir o custo da cesta básica. A farinha de mandioca apresentou queda de 5,95%, enquanto o leite integral recuou 4,82%, amenizando parte da pressão inflacionária sobre os alimentos essenciais.

Apesar do resultado positivo, a pesquisa mostra que o alívio ainda é limitado. O feijão, um dos alimentos mais consumidos pelas famílias brasileiras, registrou alta de 5,64%, acumulando o segundo mês consecutivo de aumento. Também apresentaram elevação de preços o pão francês (3,66%) e a banana-prata (3,03%).

Os reflexos da inflação ainda são percebidos no orçamento dos trabalhadores. Mesmo com a queda da cesta básica, quem recebe um salário mínimo precisou comprometer 43,02% da renda líquida para adquirir os alimentos essenciais. O estudo estima que foram necessárias 87 horas e 33 minutos de trabalho para comprar a cesta básica individual em junho.

Outro indicador apresentado pela UNEB revela que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família em Camaçari foi estimado em R$ 5.419,70, valor correspondente a 3,34 vezes o salário mínimo vigente. O dado demonstra que, embora tenha ocorrido uma redução pontual nos preços, o custo de vida continua elevado no município.

A série histórica reforça esse cenário. Mesmo com o recuo registrado em junho, a cesta básica permanece R$ 103,90 mais cara do que no início de 2026, acumulando alta de 19,2% no período. Para os pesquisadores, a redução observada no último levantamento representa um alívio momentâneo, mas ainda insuficiente para compensar a perda do poder de compra das famílias camaçarienses.

Produzido mensalmente pelo Projeto Cesta Básica em Foco, o boletim utiliza metodologia baseada nos critérios do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para acompanhar a evolução dos preços dos 12 produtos que compõem a cesta básica da Região Nordeste. O estudo é uma referência para avaliar o comportamento do custo da alimentação e seus impactos sobre a renda da população de Camaçari.

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