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Lula sanciona nova lei do frete com piso obrigatório, mas sem definir valores para caminhoneiros

Economia

Lula sanciona nova lei do frete com piso obrigatório, mas sem definir valores para caminhoneiros

Regra reforça fiscalização da tabela mínima, prevê atualização pela ANTT conforme custos da operação e estabelece punições para quem descumprir os valores definidos.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou na quarta-feira (5) a lei que modifica as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A medida mantém a obrigatoriedade de um valor mínimo para o frete dos caminhoneiros, mas não estabelece uma quantia fixa para as operações.

A nova legislação determina que os valores definidos na tabela deverão considerar os custos reais do transporte, como combustível, pedágios, manutenção dos veículos e demais despesas envolvidas no deslocamento das cargas. A atualização dos pisos ficará sob responsabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que deverá revisar os valores periodicamente ou sempre que houver alterações significativas no preço do diesel.

A lei tem origem em uma medida provisória editada pelo governo federal em março deste ano, em meio ao cenário de instabilidade internacional provocado pela guerra no Oriente Médio. O objetivo principal era fortalecer o cumprimento da tabela do frete e garantir que os preços praticados acompanhassem os gastos efetivos dos transportadores.

Entre as mudanças aprovadas está a obrigatoriedade do registro das operações de transporte, com a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). O descumprimento do piso mínimo poderá resultar em penalidades administrativas para empresas ou contratantes que pagarem valores abaixo do estabelecido.

Denúncias contra valores abaixo da tabela

Com a nova regra, caminhoneiros poderão denunciar empresas que não respeitarem os valores mínimos definidos oficialmente para o transporte de cargas. O frete mínimo passa a ter caráter vinculante, ou seja, deverá ser obrigatoriamente seguido nas contratações.

Criada em 2018, após a greve nacional dos caminhoneiros que paralisou rodovias em todo o país, a política de preços mínimos foi uma das principais reivindicações da categoria. Desde então, a tabela prevê reajustes quando há variação superior a 5% no preço do combustível, mecanismo conhecido como “gatilho”.

Congresso retirou previsão de piso salarial

Durante a tramitação da medida no Congresso Nacional, deputados chegaram a incluir uma proposta de piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que realizam viagens de longa distância. O trecho, porém, foi retirado pelo Senado Federal, sob o argumento de que o Legislativo não poderia estabelecer valores salariais dessa natureza.

A versão final sancionada pelo presidente manteve apenas as regras relacionadas ao piso mínimo do frete rodoviário.

Vetos retiram anistia de multas de manifestações

A sanção também confirmou vetos a trechos aprovados pelo Congresso. Entre eles está a proposta de anistia das multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores durante bloqueios de rodovias registrados em 2022, após as eleições presidenciais.

O Ministério dos Transportes havia recomendado a retirada desses dispositivos à Casa Civil, decisão confirmada pelo governo federal.

Também foram vetados pontos que flexibilizavam punições por excesso de peso em veículos de carga, permitindo a conversão de algumas infrações em advertências, além de uma regra que autorizava a ANTT a criar pisos diferenciados para determinadas operações de transporte.

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