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Feijão começa a baixar de preço nos supermercados após disparada no primeiro semestre

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Feijão começa a baixar de preço nos supermercados após disparada no primeiro semestre

Queda nas regiões produtoras já chegou às gôndolas, mas repasse ainda é menor que a redução registrada no campo.

Por: Camaçari Notícias

Foto: ©iStock/Rmcarvalho

Depois de pesar no bolso dos brasileiros durante o primeiro semestre, o feijão começa a apresentar redução de preços nos supermercados. O movimento já foi percebido em julho, mas ainda ocorre de forma mais lenta do que a queda registrada nas principais regiões produtoras.

O cenário mudou pouco mais de um mês depois de o feijão aparecer entre os alimentos que mais pressionaram a inflação no varejo. Segundo levantamento da Neogrid, o preço médio do produto subiu 8% em junho, passando de R$ 8,05 para R$ 8,70 por quilo.

A alta foi influenciada principalmente pela quebra da segunda safra, provocada por problemas climáticos, além da redução da área destinada ao cultivo.

Agora, os dados do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas (Ibrafe) apontam para uma inversão desse movimento. Em julho, o preço do feijão-carioca caiu rapidamente nas principais regiões produtoras do país.

Em Minas Gerais e Goiás, a saca, que chegou a ser negociada acima de R$ 300, passou a ser comercializada por valores próximos de R$ 280. Nos últimos dias, também foram registrados negócios abaixo desse patamar.

Redução chega ao consumidor de forma gradual

Apesar da queda no campo, o recuo ainda não ocorreu na mesma proporção nos supermercados.

Na cidade de São Paulo, o preço médio do quilo do feijão-carioca caiu de R$ 10,09 em junho para R$ 9,50 em julho, uma redução de 5,85%, segundo o Ibrafe. Já o feijão-preto passou de R$ 10,25 para R$ 10,09, recuo de 1,56%.

Em Recife, a queda foi maior. O quilo do feijão-carioca passou de R$ 8,89 para R$ 8,19, baixa de 7,87%. O feijão-preto recuou 3,67%.

Na Grande Belo Horizonte, o feijão-carioca também esteve entre os produtos que mais baratearam em julho, com redução média de 3,21%.

Para o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, a diferença entre os preços praticados no campo e no varejo é esperada por causa das etapas e dos custos existentes até o produto chegar ao consumidor.

"Entre a lavoura e o supermercado existem estoques adquiridos anteriormente, beneficiamento, embalagem, transporte, impostos, distribuição e margens. Portanto, é natural que exista alguma defasagem."

O instituto, porém, defende que a velocidade do repasse seja acompanhada com atenção, principalmente diante da forte redução observada nas regiões produtoras.

"Quando o feijão sobe na lavoura, imediatamente surge a preocupação com o que acontecerá na gôndola. Quando cai, precisamos observar, com a mesma atenção, quanto dessa redução realmente chega ao consumidor."

Agosto pode trazer queda maior

A avaliação do Ibrafe é que o consumidor poderá sentir um alívio ao longo de agosto caso a saca permaneça próxima dos valores atuais ou recue para a faixa de R$ 250.

A redução nos preços poderia estimular novamente o consumo do feijão, que tem perdido espaço na alimentação dos brasileiros nos últimos anos.

Para o instituto, a queda registrada na produção só terá impacto positivo para toda a cadeia se uma parcela relevante dessa redução chegar efetivamente ao consumidor final.

Feijão ainda acumula alta de 36,7% no ano

Apesar do recuo recente, o feijão ainda está entre os alimentos que mais encareceram em 2026. Dados da Neogrid apontam que, entre dezembro de 2025 e junho deste ano, o produto acumulou alta de 36,7% no varejo brasileiro. O índice ficou abaixo apenas do registrado pelos legumes, que tiveram valorização de 50,2% no mesmo período.

Segundo Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, a forte oscilação dos preços está relacionada à sensibilidade desses produtos às condições climáticas. Para ele, o cenário também reforça a importância de uma gestão mais eficiente dos estoques e da reposição nos supermercados.

A empresa avalia que o comportamento dos preços do feijão continuará entre os principais indicadores para acompanhar a inflação dos alimentos durante o segundo semestre.

Legumes, leite e carne ainda pressionam o bolso

Enquanto o feijão começa a dar sinais de alívio, outros itens continuam pesando no orçamento das famílias. Em junho, os legumes tiveram alta média de 4,2% no país. O preço médio passou de R$ 7,93 para R$ 8,26 por quilo. Na região Norte, o avanço chegou a 11,3%.

No acumulado do ano, os legumes lideram a alta entre os alimentos, com valorização de 50,2%. Também seguem em alta o leite UHT, que acumula aumento de 23,1%; a carne bovina, com alta de 6,5%; e a farinha de mandioca, que subiu 5%.

Por outro lado, alguns produtos já apresentam queda. O café em pó e em grãos recuou 3,2% em junho, enquanto o açúcar ficou 2,8% mais barato. Os ovos tiveram redução de 1,8%, e o óleo de cozinha caiu 1,7%.

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