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Casas Bahia recorre à recuperação judicial para reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas
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Grupo atribui decisão a juros elevados, crédito restrito e dificuldades para captar recursos; lojas físicas, site e demais canais de venda devem continuar funcionando normalmente.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Sarah Brito/g1
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo na noite deste domingo (16), em uma nova tentativa de reorganizar sua estrutura financeira. O processo envolve a companhia e outras nove empresas do grupo e prevê a renegociação de aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A solicitação foi protocolada no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial. Segundo a empresa, a decisão recebeu aprovação do Conselho de Administração e do acionista controlador.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o propósito de evitar a falência e preservar a continuidade das atividades e dos empregos.
Apesar do pedido, a Casas Bahia informou que pretende manter suas operações normalmente. As lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda devem continuar funcionando, sem interrupções relevantes para os consumidores.
Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ainda será necessária a ratificação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Segunda tentativa de reestruturação financeira
A medida ocorre dois anos depois de a companhia recorrer a uma recuperação extrajudicial. Em 2024, foram renegociados cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Na ocasião, a empresa apostava na redução dos custos financeiros, na reorganização das obrigações e na recuperação do consumo para estabilizar sua situação. Segundo a companhia, porém, o ambiente econômico permaneceu desfavorável.
Entre os principais fatores apontados estão juros elevados, restrição ao crédito, aumento das despesas financeiras e queda no consumo, cenário que dificultou a geração de caixa.
A Casas Bahia também afirmou que não conseguiu concluir operações de captação consideradas importantes para reforçar sua liquidez.
Em comunicado ao mercado, a companhia classificou o pedido como uma etapa necessária para avançar na reestruturação financeira, preservar a continuidade das atividades e buscar uma solução organizada para suas obrigações.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
O anúncio da recuperação judicial ocorreu um dia depois da divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026.
Entre abril e junho, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse montante, segundo a companhia, R$ 9,1 bilhões estão relacionados a ajustes contábeis extraordinários e despesas vinculadas ao processo de reestruturação, sem efeito imediato sobre o caixa.
Entre os impactos contabilizados estão a redução do valor de créditos tributários previstos para utilização futura, reservas para possíveis disputas e obrigações contratuais, reavaliação de ativos e despesas relacionadas à reorganização da empresa.
Mesmo com o resultado negativo, alguns indicadores operacionais apresentaram evolução. A receita líquida avançou 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet cresceram 15,3%, chegando a R$ 2,8 bilhões.
A empresa também informou aumento na geração de caixa, redução da dívida líquida e alongamento dos prazos de vencimento de grande parte dos financiamentos.
Fechamento de 298 lojas faz parte do plano de transformação
A recuperação judicial está inserida na segunda etapa do Plano de Transformação iniciado em 2023, criado para tornar a operação mais eficiente e financeiramente sustentável.
Dentro da estratégia, a Casas Bahia fechou 298 lojas consideradas pouco rentáveis, reduziu estoques e adotou medidas para diminuir custos. A companhia passou a concentrar investimentos nas operações com maior retorno financeiro.
A empresa afirma que a redução da rede busca melhorar a rentabilidade das unidades que permanecem em funcionamento e fortalecer a geração de caixa, em vez de priorizar a expansão do número de lojas.
Captações não avançaram
Entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, a administração da companhia buscou alternativas para reforçar o caixa. Executivos realizaram reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa e avaliaram possibilidades como uma eventual oferta de ações.
A Casas Bahia também negociou uma operação de grande porte com investidores internacionais, considerada relevante para seu planejamento financeiro. O negócio, no entanto, não foi concluído depois da desistência do investidor que funcionaria como âncora da operação.
Outras alternativas, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não avançaram nas condições esperadas pela empresa.
Segundo a companhia, a combinação desses fatores com os juros elevados, o crédito mais restrito e o enfraquecimento do consumo aumentou a necessidade de recorrer à recuperação judicial.
Dez empresas estão incluídas no pedido
Além da Casas Bahia, o processo envolve outras nove empresas do grupo:
ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.
ASAP Log Ltda.
CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.
Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.
Globex Administração e Serviços Ltda.
Cnova Comércio Eletrônico S.A.
Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.
Casas Bahia Tecnologia Ltda.
Indústria de Móveis Bartira Ltda.
Companhia anuncia mudanças na administração
No mesmo dia do anúncio da recuperação judicial, a empresa comunicou alterações em sua alta administração.
O vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, deixou o cargo. Ele estava na companhia desde 2024 e continuará prestando consultoria durante o processo de reestruturação.
Para a posição foi nomeada Sírley Lima, executiva com mais de duas décadas de experiência profissional e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.
Também deixaram o Conselho de Administração Jackson Schneider e Rogério Calderón.
Cláudia Quintella Woods assumirá uma cadeira no Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister passará a integrar o Comitê de Finanças.
Mesmo fora do Conselho de Administração, Jackson Schneider continuará responsável pela coordenação dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia.
O que acontece agora
O pedido será analisado pela Justiça de São Paulo. Caso seja deferido, a empresa deverá seguir as regras do processo de recuperação judicial e apresentar um plano para reorganizar suas dívidas e operações. A companhia continuará funcionando durante a tramitação do processo, enquanto busca negociar suas obrigações com os credores e recuperar o equilíbrio financeiro.
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