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Beneficiários de programas sociais não conseguem mais abrir conta em site de apostas

Economia

Beneficiários de programas sociais não conseguem mais abrir conta em site de apostas

Sistema desenvolvido pelo Serpro bloqueia cadastro e manutenção de contas em bets por meio do cruzamento de CPFs

Por: Camaçari Notícias

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Beneficiários do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada (BPC), de programas de renegociação de dívidas e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) não podem abrir ou manter contas em casas de apostas de quota fixa licenciadas no Brasil.

A restrição foi estabelecida após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a ser aplicada por meio do módulo Impedidos, criado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) dentro do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).

A ferramenta foi desenvolvida para a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e tem como objetivo impedir que recursos destinados à proteção social ou à recuperação financeira das famílias sejam utilizados em apostas.

Desde o início da operação, em outubro de 2025, o sistema já bloqueou o acesso de mais de 3 milhões de pessoas.

O Sigap é utilizado na regulação, no monitoramento e na fiscalização do mercado de apostas no país. Segundo o Serpro, a plataforma processa cerca de 500 milhões de registros diariamente e acumula mais de 5 milhões de arquivos em sua base de dados.

Como funciona o bloqueio

O módulo Impedidos verifica automaticamente se uma pessoa pode se cadastrar ou manter uma conta em uma plataforma de apostas autorizada. A consulta é feita por meio do CPF e considera informações sobre beneficiários do Bolsa Família e do BPC, além de participantes de programas de renegociação de dívidas e estudantes que contrataram financiamento pelo Fies.

Para realizar a verificação, o Serpro disponibiliza uma interface de integração tecnológica, conhecida como API, às empresas de apostas autorizadas.

As plataformas consultam a API em tempo real durante o cadastro e também no primeiro acesso diário de cada usuário. O sistema informa se existe algum impedimento e apresenta o motivo da restrição.

O que acontece com contas já existentes

Quando o bloqueio é identificado em uma conta que já está ativa, a plataforma de apostas tem até três dias para encerrá-la. O saldo existente deve ser devolvido integralmente ao titular.

A decisão de impedir um novo cadastro ou encerrar uma conta cabe à própria operadora de apostas. O processo é automatizado e não depende de intervenção manual do Serpro.

A restrição é aplicada ao CPF, independentemente da origem do dinheiro utilizado nas apostas. O bloqueio também não gera outras penalidades ao beneficiário.

A responsabilidade pelo cumprimento da regra é das plataformas de apostas. Dessa forma, o cidadão que estiver impedido não é responsabilizado pelo bloqueio.

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