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Economia
O recuo foi puxado principalmente pelo tomate, que ficou 40,80% mais barato no período
Por: Camaçari Notícias
Foto: Magnific
A cesta básica de Camaçari registrou a segunda queda consecutiva e encerrou julho de 2026 em R$ 611,34, redução de 5,24% em relação a junho, quando custava R$ 645,12. O recuo foi puxado principalmente pelo tomate, que ficou 40,80% mais barato no período. Na direção contrária, a farinha de mandioca apresentou a maior alta entre os itens pesquisados, com avanço de 14,36%.
Os dados fazem parte da 10ª edição do Boletim Cesta Básica, elaborado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT), Campus XIX, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Camaçari. O levantamento acompanha 12 produtos que compõem a cesta básica padrão da Região Norte/Nordeste.
Tomate puxa redução da cesta
Depois de meses pressionando o orçamento doméstico, o tomate foi o principal responsável pelo alívio registrado em julho. O preço considerado na composição da cesta caiu de R$ 106,92 para R$ 63,29, redução de 40,80%.
Segundo a análise apresentada no boletim, a queda está relacionada ao pico da colheita da safra de inverno e à normalização do fluxo de mercadorias na Ceasa, que ampliaram a oferta do produto. A redução do tomate respondeu por mais de R$ 43 de queda no custo da cesta e praticamente concentrou o alívio observado no índice geral.
Outros dois produtos ficaram mais baratos. O açúcar recuou 4,11%, passando de R$ 14,02 para R$ 13,44, enquanto a banana-prata apresentou queda de 2,61%, encerrando o mês em R$ 60,12 na quantidade considerada pela pesquisa.
Farinha de mandioca lidera altas
Enquanto o tomate ajudou o consumidor, a farinha de mandioca exerceu pressão no sentido contrário. O produto teve a maior elevação percentual do levantamento, 14,36%, passando de R$ 18,06 para R$ 20,65 na quantidade de três quilos considerada na cesta.
O boletim relaciona a alta a fatores da cadeia produtiva da mandioca, entre eles escassez da raiz no campo, disputa pela matéria-prima entre diferentes segmentos da indústria e custos de processamento, energia e transporte.
Também ficaram mais caros o leite integral, com alta de 9,62%, passando de R$ 40,18 para R$ 44,05, e o arroz, que avançou 9,43%, de R$ 17,89 para R$ 19,58.
Trabalhador ainda compromete 40,77% da renda
Mesmo com a redução da cesta, o peso da alimentação permanece elevado. Considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.621, a cesta básica individual correspondeu a 40,77% do salário mínimo líquido, percentual inferior aos 43,02% registrados anteriormente.
O levantamento calcula ainda que o trabalhador de Camaçari precisou dedicar aproximadamente 82 horas e 58 minutos de sua jornada mensal para adquirir os alimentos da cesta. Em junho, eram necessárias 87 horas e 33 minutos — uma redução de 4 horas e 35 minutos.
O chamado Salário Mínimo Necessário, estimado a partir das despesas essenciais de uma família, passou de R$ 5.419,70 para R$ 5.135,91. Apesar da queda, o valor ainda corresponde a cerca de 3,17 vezes o salário mínimo nacional.
Cesta de Camaçari fica mais barata que a de Salvador
A pesquisa também apresenta uma comparação com Salvador. Na capital baiana, a cesta básica caiu 6,59%, passando de R$ 696,22 em junho para R$ 650,32 em julho.
Em Camaçari, o custo de R$ 611,34 deixou a cesta 6,38% mais barata que a registrada em Salvador. Para comprar os alimentos básicos, o trabalhador camaçariense precisou trabalhar 82 horas e 58 minutos, contra 88 horas e 16 minutos na capital.
Apesar do resultado favorável pelo segundo mês seguido, a série histórica mostra que a alimentação continua pressionando o orçamento. Entre outubro de 2025 e julho de 2026, a cesta básica acumulou alta de 12,96%, equivalente a R$ 70,12.
O monitoramento é realizado pela UNEB, por meio do NUPE/DCHT Campus XIX, utilizando como referência metodológica o modelo do Dieese e a composição da Ração Essencial Mínima estabelecida pelo Decreto-Lei nº 399/1938.
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