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Entidades das bets recorrem ao STF contra proibição de apostas online decretada por Lula

Economia

Entidades das bets recorrem ao STF contra proibição de apostas online decretada por Lula

Entidades alegam falta de estudos sobre impacto da medida na arrecadação, empregos e políticas públicas e alertam para crescimento do mercado clandestino.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Getty Images/Delmaine Donson

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (28) para pedir a suspensão da medida provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa e cassinos virtuais no Brasil.

A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25). As entidades querem que as regras anteriores continuem valendo até que o Congresso Nacional analise a medida ou que o STF julgue as ações relacionadas ao tema.

No pedido encaminhado ao ministro Luiz Fux, relator de ações sobre apostas na Corte, as associações afirmam que a medida foi publicada sem demonstração de urgência. Segundo elas, a interrupção do funcionamento das empresas autorizadas também compromete a segurança jurídica do setor.

As entidades citam os investimentos feitos pelas operadoras que receberam autorização para atuar no mercado regulado. De acordo com o pedido, as empresas pagaram R$ 30 milhões por licença, constituíram reservas financeiras e cumpriram exigências de governança, conformidade e fiscalização determinadas pelo governo federal.

Outro argumento apresentado é a ausência de uma estimativa de impacto orçamentário e financeiro da MP. ANJL e IBJR afirmam que não foram apresentados estudos técnicos sobre os efeitos da proibição na arrecadação tributária, no financiamento de políticas públicas nas áreas de esporte, turismo e seguridade social e nos empregos formais ligados ao setor.

As associações também apontam o risco de crescimento do mercado clandestino. Para as entidades, a retirada das empresas autorizadas pode levar apostadores para plataformas não regulamentadas, sem as mesmas exigências impostas às operadoras que atuam dentro das regras estabelecidas pelo governo.

A proibição anunciada por Lula também alcança jogos online e cassinos virtuais, como o chamado "Jogo do Tigrinho". O governo afirmou que a decisão está relacionada, entre outros fatores, ao endividamento de famílias e ao vício em apostas.

Paralelamente à MP, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei que estabelece punições para quem explorar, operar ou divulgar apostas e jogos online proibidos. A proposta prevê penas de prisão para responsáveis por atividades ilegais no setor.

Governo pede prazo ao STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF prazo de 72 horas para que a Presidência da República e o próprio órgão apresentem manifestação sobre o pedido feito pelas entidades.

A solicitação foi encaminhada ao ministro Luiz Fux e busca garantir que o governo seja ouvido antes de uma eventual decisão sobre a suspensão da medida provisória.

O STF deverá analisar os argumentos apresentados pelas entidades do setor e as manifestações do governo antes de decidir sobre a validade da MP e a continuidade das regras que proibiram as apostas online.

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