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Bahia gasta até R$ 4,4 mil por preso em meio a pressão no sistema prisional

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Bahia gasta até R$ 4,4 mil por preso em meio a pressão no sistema prisional

Dados federais colocam o estado entre os mais caros do país no sistema prisional.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Leo Moreira/NUCOM/SEAP

Em meio ao avanço das discussões sobre segurança pública e eficiência do sistema penitenciário no Brasil, a Bahia chama atenção em 2026 por um dado que pesa no orçamento e no debate político: o estado figura entre os que mais gastam com pessoas privadas de liberdade, com custo médio mensal que ultrapassa dois salários mínimos por preso.

Segundo dados do painel “Custo do Preso”, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a despesa média na Bahia chegou a R$ 3.449,56 por detento no acumulado do ano. Em um recorte mais recente, referente a fevereiro de 2026, o valor saltou para R$ 4.403,35, colocando o estado acima de unidades da federação com tradição de maior gasto no sistema prisional, como Santa Catarina.

O contraste chama atenção quando comparado a estados como São Paulo, onde o custo médio por preso fica em R$ 1.959,55, e o Distrito Federal, com R$ 2.476,39. A média baiana, além de elevada, reforça a pressão sobre a gestão penitenciária em um cenário nacional marcado por superlotação, altos índices de reincidência e desafios estruturais.

Sistema sob pressão e episódios que expõem fragilidades

O alto custo do encarceramento na Bahia ganha contornos ainda mais complexos diante de recentes episódios envolvendo unidades prisionais do estado. Investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Gaeco, apontaram falhas graves de controle no sistema, incluindo a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado.

As apurações revelaram que a ação teria sido articulada ao longo de semanas, envolvendo facilitação de acessos, movimentações internas e brechas de segurança dentro da unidade. O caso ampliou o debate sobre a capacidade de gestão do sistema prisional e levantou questionamentos sobre fiscalização e governança.

Em delação que integra o processo investigativo, a então ex-diretora da unidade citou trocas de mensagens e possíveis articulações envolvendo agentes políticos e internos do sistema, o que ampliou o alcance da crise para além dos muros da prisão e colocou a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) no centro das discussões.

Desafio financeiro e estrutural

O cenário evidencia uma equação difícil para o estado: ao mesmo tempo em que os custos por preso permanecem elevados, a eficiência do sistema é questionada diante de episódios de fuga, superlotação e fragilidade na gestão.

Especialistas apontam que despesas dessa magnitude não necessariamente se traduzem em melhoria estrutural, já que parte significativa dos recursos é consumida por manutenção operacional, segurança e folha de pagamento, sem impacto direto na ressocialização.

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