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Estudantes baianos criam monitor de qualidade do ar com caixa de papelão para prevenir crises respiratórias
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Projeto desenvolvido por estudantes de Uauá utiliza Arduino, sensores e materiais recicláveis para monitorar a umidade do ar e alertar sobre condições que podem agravar crises de asma, rinite e outros problemas respiratórios.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Arquivo pessoal
Uma iniciativa criada por estudantes da rede municipal de ensino de Uauá, no sertão da Bahia, vem chamando atenção pelo potencial de melhorar a qualidade de vida de pessoas que convivem com problemas respiratórios. Batizado de "Climatec", o projeto consiste em um dispositivo de baixo custo capaz de monitorar a umidade e a temperatura do ambiente e emitir alertas quando os índices representam risco à saúde.
A tecnologia nasceu após alunos da Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro observarem que colegas sofriam frequentemente com crises de asma, rinite, tosse intensa e irritação nos olhos, problemas agravados pelo clima seco característico da região.
O projeto começou em 2025, durante a preparação para uma feira de ciências. Sob orientação da monitora da sala de robótica, Thayza Vieira dos Santos, os estudantes decidiram buscar uma solução prática para um problema vivido diariamente dentro da escola.
Para desenvolver o equipamento, o grupo utilizou uma placa Arduino, um sensor de temperatura e umidade, uma tela LCD para exibir as informações e uma lâmpada de LED vermelho, responsável por sinalizar quando os níveis registrados ficam fora da faixa considerada saudável. Todos os componentes foram acomodados em uma caixa de papelão, tornando o dispositivo simples, portátil e de baixo custo.
O funcionamento é automático: o sensor mede as condições do ambiente e envia os dados ao Arduino, que processa as informações e as exibe na tela. Sempre que a umidade do ar fica abaixo de 30% ou acima de 70%, o LED é acionado para alertar professores e estudantes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade relativa do ar ideal para a saúde humana varia entre 40% e 60%. Com o aviso emitido pelo equipamento, a escola pode adotar medidas preventivas, como orientar o uso de máscaras ou dispensar alunos que apresentem sintomas respiratórios mais intensos.
Atualmente, o projeto é conduzido pelos estudantes Ana Cllara Ribeiro dos Santos, de 14 anos, e Henrique Ribeiro Leal, que trabalham para ampliar o alcance da iniciativa.
Para Ana Cllara, a tecnologia pode beneficiar muito mais do que apenas sua escola.
"É um projeto que quero que todo mundo olhe e veja que pode salvar muitas vidas", afirma a estudante.
Além do ambiente escolar, os responsáveis pelo projeto acreditam que o "Climatec" pode ser adaptado para postos de saúde, hospitais e outras instituições que necessitam monitorar as condições do ar, especialmente diante dos impactos cada vez mais frequentes das mudanças climáticas.
Por enquanto, apenas uma unidade do equipamento foi construída, mas a equipe já realiza um levantamento para produzir novos dispositivos e expandir o monitoramento para outras salas da escola, permitindo que mais professores e estudantes tenham acesso às informações em tempo real.
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