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Instituto Sou da Paz coloca Bahia na liderança das mortes violentas com apenas 14% dos homicídios esclarecidos

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Instituto Sou da Paz coloca Bahia na liderança das mortes violentas com apenas 14% dos homicídios esclarecidos

Levantamento nacional revela que estado teve 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais em 2023, maior número absoluto do Brasil.

Por: Camaçari Notícias

A Bahia aparece no topo do ranking nacional de mortes violentas intencionais, mas ocupa uma das últimas posições quando o assunto é esclarecimento de homicídios. Os dados fazem parte do estudo “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil”, elaborado pelo Instituto Sou da Paz, que analisou indicadores de violência letal e capacidade investigativa nos estados brasileiros.

De acordo com o levantamento, o estado registrou 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais em 2023, o maior número absoluto entre todas as unidades da federação. A taxa chegou a 46,5 mortes por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Amapá, que apresentou índice de 69,9 mortes por 100 mil habitantes.

O estudo também mostra um cenário preocupante na resolução dos crimes. Entre 2020 e 2023, somente 14% dos homicídios dolosos registrados na Bahia resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público, percentual que coloca o estado entre aqueles com menor capacidade de esclarecimento no país, à frente apenas do Rio Grande do Norte, que teve 9%.

A análise do Instituto Sou da Paz relaciona os baixos índices de elucidação a características da violência registrada no estado, como a predominância do uso de armas de fogo, disputas envolvendo grupos criminosos e o alto número de mortes decorrentes de intervenções policiais.

Segundo o levantamento, 83% dos homicídios ocorridos na Bahia são cometidos com armas de fogo, um dos maiores percentuais nacionais. O estudo aponta ainda que, em 2023, 25,8% das mortes violentas intencionais no estado foram provocadas por intervenções policiais, mais que o dobro da média brasileira, calculada em 13,8%.

Os pesquisadores avaliam que locais com maior incidência de mortes durante ações policiais também costumam apresentar dificuldades maiores para esclarecer homicídios. A relação, segundo o estudo, está associada a modelos de segurança mais concentrados no confronto, que podem comprometer a produção de informações necessárias para investigações mais aprofundadas.

Investigações mais complexas

O levantamento explica que crimes cometidos com armas de fogo em áreas públicas, muitas vezes ligados a disputas entre organizações criminosas, apresentam obstáculos adicionais para a polícia. A rapidez das execuções, a dificuldade de encontrar testemunhas e a menor quantidade de vestígios tornam o trabalho investigativo mais demorado.

A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca que esse tipo de crime exige uma estrutura especializada para alcançar resultados mais eficientes.

“Homicídios praticados com armas de fogo geralmente ocorrem em espaços públicos, são executados de forma rápida e produzem menor quantidade de evidências e testemunhas, aumentando significativamente a complexidade da investigação”, afirma Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

Mesmo diante de índices elevados de violência, o estudo ressalta que estados com grandes desafios na segurança pública podem melhorar os resultados das investigações. O levantamento cita o caso de Rondônia, que conseguiu ampliar a taxa de esclarecimento de homicídios por meio de medidas como fortalecimento da perícia, preservação de locais de crime, continuidade das investigações e uso de indicadores para orientar ações.

Para os pesquisadores, a redução da impunidade depende não apenas do volume de crimes registrados, mas também da estrutura disponível para investigar, identificar responsáveis e transformar casos em processos judiciais.

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