Batida entre dois veículos deixa uma pessoa morta e outra gravemente ferida em Camaçari
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Preso por morte de nutricionista dirigia carro enquanto comparsa teria feito os disparos em Guarajuba
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Denúncia do MP-BA aponta que Fábio Ribeiro conduzia Jeep usado na perseguição.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução/Divulgação SSP-BA
A dinâmica da perseguição que terminou com a morte da nutricionista Larissa Pavan de Assis, de 26 anos, em Guarajuba, na orla de Camaçari, foi detalhada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Segundo a denúncia, Fábio Ribeiro estava ao volante do Jeep Renegade usado no ataque, enquanto Marlon Ribeiro dos Santos ocupava o banco do passageiro e teria efetuado os disparos contra o carro onde a vítima estava.
O crime aconteceu na noite de 7 de dezembro de 2024, na BA-099, nas proximidades do Condomínio Summer House Genipabu. Larissa seguia em um Toyota Corolla com três irmãos e um motorista por aplicativo, que havia aceitado uma corrida pelo aplicativo 99 com saída do Salvador Norte Shopping, em São Cristóvão, e destino a Guarajuba.
De acordo com o MP-BA, o grupo passou do acesso ao condomínio e o motorista precisou retornar. Durante a manobra, o Jeep Renegade branco ocupado pelos dois suspeitos teria se aproximado em alta velocidade, emparelhado com o Corolla e feito pelo menos dois disparos.
Um dos tiros atingiu Larissa na cabeça e provocou traumatismo cranioencefálico. O motorista que prestava serviço para a família também foi atingido por estilhaços nas pernas. Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Monte Gordo, recebeu atendimento médico e teve alta.
Na época do crime, uma das irmãs de Larissa relatou como a situação ocorreu: "A gente estava na faixa da direita para virar para o condomínio, o motorista passou. Aí Larissa estava com o aplicativo aberto e avisou: 'moço, você passou'. Aí ele falou: 'vou ter que fazer o retorno'. Ele voltou e a gente ouviu os disparos".
Segundo a jovem, o motorista percebeu o ataque e orientou os passageiros a se abaixarem. "O motorista falou: 'abaixa'. Quando olhei para o lado, ela já estava baleada na testa”.
Imagens da BA-099 auxiliaram a reconstruir a perseguição
Um dos elementos apontados pelo MP-BA para sustentar que Fábio dirigia o Jeep está relacionado aos registros de monitoramento da BA-099. Conforme a acusação, o Corolla passou por um ponto da rodovia às 19h39. Apenas três segundos depois, o Jeep utilizado pelos suspeitos foi registrado no mesmo trecho.
Para o Ministério Público, a sequência dos registros é compatível com a perseguição ao veículo das vítimas. Os dados de velocidade também foram considerados pela acusação. O Jeep teria alcançado 92 km/h e passado por radares a 78 km/h e 72 km/h em sequência. O limite permitido naquele trecho era de 60 km/h.
Na avaliação do MP-BA, os registros apontam a aproximação do veículo, o ataque e a fuga dos suspeitos.
A perícia realizada no Corolla encontrou dois pontos de impacto de arma de fogo. O exame apontou que o atirador estava no lado direito do veículo das vítimas, a cerca de 1,42 metro de distância. Para os investigadores, a posição identificada é compatível com a hipótese de que Marlon estava no banco do passageiro enquanto Fábio conduzia o Jeep.
A denúncia sustenta que o crime teria começado por uma tentativa de ultrapassagem. O MP-BA classificou a acusação como homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também denunciou os acusados por quatro tentativas de homicídio relacionadas às demais pessoas que estavam no Corolla.
"Destaca que realizar disparos de arma de fogo no veículo em que estavam as vítimas, desconhecidas, por mero aborrecimento, decorrente de uma tentativa de ultrapassagem, revela conduta desproporcional, demostrando motivação fútil", apontou o MP.
A denúncia também sustenta que a forma como o ataque ocorreu impediu uma reação das vítimas. "E surpreender as vítimas e emparelhar o automóvel, mantendo curta distância, e em seguida efetuar disparos, sem qualquer comunicação anterior, denota recurso que dificultou a defesa dos ofendidos", completou a denúncia.
Suspeitos foram identificados antes e depois do assassinato
A investigação também utilizou dados telefônicos, imagens de câmeras e registros de veículos para estabelecer os deslocamentos de Fábio e Marlon na noite do crime. Às 18h47, os dois estavam na Praia do Forte, em Mata de São João, segundo informações obtidas por meio da quebra de sigilo telefônico e de imagens de uma câmera de reconhecimento de placas que registrou o Jeep.
Pouco tempo depois do assassinato, às 19h44min35s, Fábio teria sido identificado como condutor de um veículo na entrada do Condomínio Canto de Arembepe. Entre 19h48 e 20h17, os dois investigados teriam usado o mesmo endereço de IP e permanecido na mesma localização geográfica, conforme os dados agregados durante a investigação.
Prisão de Fábio
Fábio Ribeiro se entregou na Polinter, em Salvador, no final da tarde dessa terça-feira (18). Ele possuía um mandado de prisão em aberto e era considerado foragido desde o assassinato.
O suspeito integrava o Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), onde aparecia com a carta "3 de Espadas".
Marlon Ribeiro dos Santos, apontado pelo MP-BA como o responsável pelos disparos, foi preso em junho deste ano. Ele também fazia parte do Baralho do Crime, identificado como "Nove de Ouro". A prisão ocorreu em uma residência na região de Abaís, no litoral sul de Sergipe.
Em julho de 2025, outro homem já havia sido preso sob suspeita de participação no assassinato da nutricionista.

Marlon, apontado como autor dos disparos contra a nutricionista, foi preso em junho deste ano escondido em um imóvel em Sergipe.
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