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Ex-companheiro é condenado a quase 60 anos pela morte de líder quilombola na Bahia

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Ex-companheiro é condenado a quase 60 anos pela morte de líder quilombola na Bahia

Réu foi condenado por feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Reprodução/Redes sociais

O homem acusado de matar a líder quilombola Tainara dos Santos foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo Tribunal do Júri de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. O julgamento do homem conhecido como “Dandan”, começou na quarta-feira (19) e terminou na madrugada desta quinta (20).

Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), os jurados consideraram o réu culpado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma e munição.

A Justiça também determinou o pagamento de R$ 300 mil para reparação dos danos causados às vítimas e aos familiares de Tainara.

De acordo com a acusação, o feminicídio foi cometido de maneira que dificultou a defesa da vítima. Os jurados também reconheceram que as ameaças feitas contra Tainara estavam relacionadas ao ciúme e ao sentimento de posse demonstrado pelo acusado.

Desaparecimento de Tainara

Tainara dos Santos desapareceu em 9 de outubro de 2024, em Cachoeira. Ela era líder quilombola e mãe de duas crianças. Desde a data em que foi vista pela última vez, o corpo dela nunca foi encontrado.

Segundo a denúncia apresentada pelo MP-BA, Tainara e “Dandan” mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos na época do desaparecimento. A relação, conforme a investigação, era marcada por agressões físicas e psicológicas. Tainara teria relatado as violências e demonstrado intenção de encerrar o relacionamento.

Com a separação, George, segundo a acusação, não teria aceitado o fim da relação e passou a perseguir a ex-companheira. A filha do casal teria sido utilizada como justificativa para que ele continuasse mantendo contato com Tainara.

Diante do histórico de violência e das ameaças, a vítima conseguiu uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. A determinação judicial proibia a aproximação do acusado, mas, segundo o MP-BA, a ordem foi descumprida diversas vezes.

Último dia em que Tainara foi vista

No dia 9 de outubro de 2024, data do desaparecimento, George teria novamente descumprido a medida protetiva.

Conforme a denúncia, ele teria coagido Tainara, sob grave ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão de um imóvel. Em seguida, teria colocado a ex-companheira em seu veículo.

Depois disso, Tainara não foi mais vista.

As investigações apontaram o acusado como responsável pela morte da líder quilombola, embora o corpo da vítima nunca tenha sido localizado. Agora, com a condenação pelo Tribunal do Júri, George Anderson deverá cumprir a pena estabelecida pela Justiça pelos crimes reconhecidos pelos jurados.

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