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Polícia
Perícia aponta divergências na versão inicial e vestígios que sustentam a participação de uma segunda pessoa na morte de Gisele Alves Santana
Por: Camaçari Notícias
Foto: Reprodução/redes sociais
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo apontou que a hipótese de suicídio não é compatível com os elementos analisados na investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
De acordo com o documento, a hipótese inicial foi considerada incompatível diante das divergências materiais identificadas entre a versão apresentada inicialmente e os vestígios encontrados no local. A análise também incluiu um estudo detalhado das manchas de sangue na cena, que, segundo a perícia, descartou a possibilidade de suicídio e indicou a participação de uma segunda pessoa na morte da policial.
O novo laudo foi concluído na terça-feira (1º). As conclusões reforçam a investigação que aponta o tenente-coronel da reserva da PM Geraldo Leite Rosa Neto, marido de Gisele, como acusado pelo feminicídio.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do militar. A decisão liminar foi assinada na última semana pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, após a defesa apresentar um pedido de habeas corpus contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
A defesa alegou ausência de fundamentação concreta para a prisão preventiva e afirmou que Geraldo Leite Rosa Neto teria colaborado com as investigações, além de já estar na inatividade da Polícia Militar.
Ao negar o pedido, o ministro considerou que a prisão está devidamente fundamentada diante do risco de interferência na produção das provas. Segundo a decisão, o acusado ocupava posição elevada na hierarquia da PM e teria adotado condutas destinadas à eliminação de vestígios e à alteração da cena dos fatos.
Interrogatório foi adiado
O interrogatório do tenente-coronel, que estava previsto para sexta-feira (28), foi adiado pela segunda vez. O depoimento foi remarcado para 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
Inicialmente, Geraldo Leite Rosa Neto seria interrogado em 3 de julho. A defesa solicitou a mudança novamente e pediu a inclusão de um laudo suplementar no processo.
Relembre o caso
Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo.
A policial foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e transportada pelo helicóptero Águia, da PM, até o Hospital das Clínicas. Ela morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, segundo o atestado de óbito.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio consumado. Posteriormente, o caso passou a ser tratado como morte suspeita, diante de uma “dúvida razoável” sobre a dinâmica do disparo.
Com o avanço das perícias e a reconstituição dos acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não era compatível com a hipótese de suicídio apresentada inicialmente.
A partir dos elementos reunidos na investigação, a Justiça autorizou a prisão preventiva do tenente-coronel. A Polícia Civil havia solicitado a medida em 17 de março, após apontá-lo como principal suspeito pela morte da esposa.
No mesmo dia, a Justiça Militar de São Paulo decretou a prisão preventiva de Geraldo Leite Rosa Neto. Ele foi preso no dia seguinte, em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
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