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Embate judicial entre Elon Musk e OpenAI começa em clima de hostilidade na Califórnia

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Embate judicial entre Elon Musk e OpenAI começa em clima de hostilidade na Califórnia

Defesa da OpenAI rebate Elon Musk citando "dor de cotovelo" e tentativa de controle de 55% da empresa em 2017

Por: Camaçari Notícias

Foto: Camaçari Notícias

O tribunal federal de Oakland, na Califórnia, tornou-se o epicentro da disputa mais aguardada do setor tecnológico nesta terça-feira (28). O primeiro dia do julgamento entre Elon Musk, a OpenAI e a Microsoft foi marcado por um tom agressivo e acusações mútuas de traição moral e oportunismo financeiro. De um lado, Musk afirma que a missão beneficente da empresa foi "roubada" para fins lucrativos; do outro, a OpenAI sustenta que o processo é fruto de ressentimento comercial por um sucesso que o bilionário não conseguiu liderar.

Elon Musk, cofundador da OpenAI em 2015, moveu a ação em 2024 contra Sam Altman e Greg Brockman. Ele alega descumprimento dos compromissos originais que garantiam a natureza sem fins lucrativos da organização e sua missão voltada ao bem da humanidade. No banco das testemunhas, Musk subiu o tom moral, declarando que uma vitória da OpenAI daria "carta branca para saquear todas as instituições de caridade da América".

O advogado de Musk, Steven Molo, argumentou que a Inteligência Artificial Geral (AGI) foi prometida ao público como um bem comum, mas acabou entregue ao lucro privado. Embora Musk tenha mencionado anteriormente o direito a até US$ 134 bilhões em "ganhos indevidos", ele solicitou que eventuais recursos recuperados sejam redirecionados à instituição beneficente da própria organização.

A resposta da OpenAI foi contundente. William Savitt, advogado da organização, apresentou e-mails de 2017 que revelam um lado até então pouco explorado: Musk teria tentado obter 55% de controle da empresa antes de sua saída em 2018. A defesa atacou diretamente a reputação técnica do bilionário, afirmando que ele "não entendia muito bem de IA" e que o processo é motivado por "dor de cotovelo" após o fenômeno global do ChatGPT.

A Microsoft, também figurando como ré no processo, reforçou a tese de contradição por parte de Musk. O advogado Russell Cohen destacou que o bilionário continuou doando para a OpenAI mesmo após a transição para o modelo de lucro e não contestou o aporte de US$ 1 bilhão feito pela Microsoft em 2019, vindo a processar a entidade apenas quando a tecnologia alcançou sucesso comercial sem precedentes.

Para organizar a complexidade jurídica do caso, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers dividiu o julgamento em duas fases distintas:

  • Fase de Responsabilidade: Avaliará se houve irregularidades contratuais ou desvio de missão. Esta etapa deve ser concluída até 21 de maio.

  • Fase de Reparação: Determinará eventuais danos financeiros e as medidas judiciais necessárias.

O júri terá caráter consultivo na primeira fase, sendo a palavra final exclusiva da juíza Rogers. O julgamento inicial deve durar quatro semanas, enquanto alegações de práticas antitruste contra a Microsoft e a OpenAI podem ser remetidas para uma etapa posterior, ainda sem confirmação oficial. O desfecho deste caso pode redefinir como organizações de pesquisa em IA equilibram missões altruístas com a necessidade de capital intensivo.

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