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Discord terá transmissões ao vivo suspensas no Brasil por decisão da ANPD

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Discord terá transmissões ao vivo suspensas no Brasil por decisão da ANPD

Decisão ocorre em meio a investigações sobre falhas na proteção de crianças e adolescentes, moderação de conteúdo e verificação de idade na plataforma.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Ivan Radic/Flickr

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo realizadas pelo Discord no Brasil. A plataforma terá três dias úteis para cumprir a medida, que permanecerá em vigor até que sejam comprovadas ações consideradas efetivas para aumentar a proteção de crianças e adolescentes.

A decisão ocorre em meio a uma série de questionamentos sobre os mecanismos utilizados pelo Discord para controlar a idade dos usuários, moderar conteúdos e impedir situações de violência envolvendo menores de idade. O tema ganhou força depois da morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul.

Segundo as investigações do caso, a jovem teria sido estimulada à automutilação e ao suicídio durante interações realizadas em grupos da plataforma. A situação levou a ANPD a abrir uma investigação para apurar possíveis falhas nos sistemas de proteção oferecidos pelo aplicativo.

Plataforma nasceu voltada para jogadores

Lançado em 2015 pelos empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy, o Discord foi criado inicialmente para facilitar a comunicação entre pessoas que jogavam on-line. Com o tempo, a plataforma deixou de ser restrita ao universo dos games e passou a ser utilizada também para estudos, trabalho, entretenimento e interação entre comunidades.

O serviço permite conversas por texto, áudio e vídeo, além da criação de servidores e grupos privados. As transmissões ao vivo são uma das ferramentas disponíveis e possibilitam que usuários compartilhem vídeos em tempo real enquanto outras pessoas acompanham ou participam da interação.

A popularidade entre o público jovem fez com que o Discord se tornasse uma das principais plataformas de comunicação utilizadas por adolescentes. Em 2025, a empresa informou ter alcançado cerca de 200 milhões de usuários mensais em todo o mundo. Segundo dados divulgados pela própria plataforma, 93% desse público joga on-line.

O serviço possui uma versão gratuita e também oferece assinaturas pagas, conhecidas como Nitro, que dão acesso a recursos adicionais.

Proteção de menores entra no centro das cobranças

A morte da adolescente em Mato Grosso do Sul intensificou a pressão de autoridades brasileiras sobre a empresa. A ANPD passou a investigar os procedimentos adotados pelo Discord para verificar a idade dos usuários e combater conteúdos potencialmente perigosos.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também manteve tratativas com a empresa para discutir medidas de segurança voltadas ao público infantojuvenil. O debate ganhou repercussão nacional diante de cobranças por mecanismos mais rigorosos de proteção.

O episódio não é isolado. O Discord já apareceu em investigações relacionadas a ameaças, chantagens e exploração de adolescentes. Reportagens também registraram casos em que criminosos utilizavam transmissões e grupos privados para pressionar vítimas sob ameaça de divulgação de imagens íntimas.

A plataforma ainda já foi associada à atuação de comunidades extremas ou de grupos que propagam conteúdos violentos, além de ter sido utilizada por hackers e outros grupos com interesses específicos.

Em outro caso investigado em São Paulo, uma mulher foi suspeita de produzir e comercializar vídeos de maus-tratos e mortes de animais. Segundo a investigação policial, as imagens eram distribuídas pela internet para compradores de outros países.

Estrutura dos grupos dificulta fiscalização

Um dos fatores apontados por especialistas para explicar os desafios de fiscalização está no próprio funcionamento do Discord.

Diferentemente de redes sociais baseadas principalmente em publicações abertas, a plataforma permite que usuários criem comunidades privadas e definam regras próprias. A administração de boa parte desses espaços fica sob responsabilidade dos próprios criadores e moderadores dos servidores.

Esse modelo favorece a formação de comunidades menores e mais reservadas, mas também pode dificultar a identificação de conteúdos inadequados ou de comportamentos abusivos.

A combinação entre a forte presença de jovens, grupos privados e sistemas de moderação distribuídos tornou o modelo de funcionamento da plataforma alvo de questionamentos no debate sobre segurança digital.

Discord já oferece ferramenta de controle para responsáveis

O aplicativo criou, em setembro de 2023, a Central da Família, recurso destinado a permitir que pais ou responsáveis acompanhem determinadas informações sobre a utilização da plataforma pelos filhos adolescentes.

Por meio da ferramenta, o responsável pode verificar com quais usuários o adolescente conversou e quais comunidades ele acessou. O conteúdo das mensagens, porém, não fica disponível para os responsáveis.

A conexão precisa ser autorizada pelo próprio adolescente. Para ativar o recurso, é necessário utilizar o aplicativo do Discord no celular, acessar as configurações e entrar na Central da Família.

Depois, o adolescente gera um código QR na opção de conexão com o responsável. O código é escaneado pelo celular do pai ou responsável e, mediante a aprovação do jovem, as contas passam a estar vinculadas ao recurso de acompanhamento.

A ferramenta, no entanto, não impede que novos questionamentos sejam feitos sobre os mecanismos de segurança da plataforma. É justamente nesse contexto que a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo no país, estabelecendo um prazo para que o Discord apresente medidas capazes de atender às exigências de proteção de crianças e adolescentes.

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