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Frustração e debate: moradores de Camaçari avaliam eliminação do Brasil na Copa de 2026
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Decepção com veteranos, cobrança por raça e pedidos de renovação marcam os desabafos dos torcedores após a queda contra a Noruega.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Al Bello/Getty Images
O sonho do hexa virou pesadelo e o jejum de 24 anos vai continuar. A eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1 na Copa de 2026 estragou a festa de milhões de brasileiros. Mas como o torcedor de Camaçari reagiu a esse balde de água fria? O Camaçari Notícias foi às ruas para ouvir o povo e entender se o sentimento por aqui é de revolta, decepção ou esperança renovada. Entre críticas à falta de raça, escolhas táticas e o fim de ciclos, a comunidade local abriu o verbo sobre o atual momento da Amarelinha.
Para muitos, o desempenho em campo justificou o resultado final. A falta de entrega e os erros cruciais em momentos decisivos, como o pênalti desperdiçado pelo volante Bruno Guimarães, foram duramente criticados.
"Com o futebol que o Brasil jogou nesse último jogo mereceu ser eliminado, porque se fosse qualquer jogador do Cabo Verde que estava jogando com vontade, teria marcado aquele pênalti, iria bater aquele pênalti que Guimarães errou e iria acertar. Guimarães infelizmente fez feio", desabafou o estudante Luís Felipe.
Luís Felipe poupou poucos nomes da enxurrada de críticas. "O que mais me decepcionou nessa copa foi a raça desses jogadores. Eu achei que Gabriel Magalhães jogou bem, marcou certinho e o jogador que com certeza saiu grande foi Neymar, entrou no jogo, fez um pênalti bonito. Essa seleção atual não faz mais medo em nenhuma outra. O único jogador que ainda tem um alto desempenho é Vinicius Junior, que quando joga na ponta, não é qualquer jogador que consegue marcar. Com esse time atual, vejo poucas possibilidades de conseguir um hexa, mas não podemos perder a esperança", completou.
A dependência de lampejos individuais e a necessidade de uma reformulação profunda também dividem as opiniões. Enquanto uns ainda veem valor na experiência, há quem defenda que o futebol moderno exige uma postura coletiva que a Seleção há muito tempo não apresenta.
O auxiliar administrativo Bruno Dautro defende uma mudança drástica, a começar pela aposentadoria da principal estrela da equipe nos últimos anos.
"Eu acho que Neymar já deveria ter pendurado as chuteiras, não tem mais condições físicas de continuar jogando na seleção, acredito que em nenhum clube mais. Eu já perdi a fé de que o Brasil possa ganhar um hexa", disparou Bruno.
Para ele, o problema é estrutural e identitário. "O que mais me decepcionou na seleção nesse último jogo foi o aspecto técnico. O Brasil há muito tempo não tem um meio de campo talentoso, como eram Ronaldinho, Oscar e Kaká. Eu acho essa nova geração da seleção decepcionante. Essas jogadas individuais, das quais o Brasil já é famoso de aplicar em campo por parte de alguns jogadores como o Neymar, já não servem mais. O futebol é coletivo, e se o Brasil não se ligar nisso, vai ser decepção de copa em copa. E não adianta trazer técnico estrangeiro, porque vai trazer um estilo de futebol que não condiz com a essência do futebol brasileiro", analisou.
As substituições feitas pela comissão técnica durante a partida contra a Noruega também foram apontadas como o estopim para a pane no segundo tempo. A leitura de jogo desfavorável irritou quem assistia atentamente.
O empresário Carlos Leal criticou as mexidas que desestruturaram a marcação do principal perigo norueguês, o atacante Erling Haaland.
"Devido às mudanças que ocorreram no segundo tempo, as coisas começaram a desandar com a colocação de dois jogadores, sendo que os que estavam jogando deveriam permanecer porque estavam dando conta do recado. Por exemplo o Raian, estava marcando bem o Haaland, jogador da Noruega", apontou Carlos.
Carlos também lamentou as oportunidades desperdiçadas na cara do gol. "O Brasil teve três chances claras de fazer gol, inclusive um gol de pênalti perdido. Faltou determinação da Seleção Brasileira. O Cabo Verde, por exemplo, mesmo sendo um país pequeno e com uma seleção que talvez não tenha tantos recursos, jogou com muito mais raça e teve resultado positivo."
Apesar do gosto amargo que ficou na boca dos camaçarienses, o orgulho de torcer pela Seleção ainda resiste em meio aos escombros de mais uma eliminação, deixando uma lição clara: é preciso olhar para o futuro e dar espaço para quem quer jogar.
Para a vendedora Maria Alves, o resultado foi justo, mas a torcida continua.
"Para mim o Brasil mereceu ser eliminado, teve a chance de fazer uns dois ou três gols e não jogou. A gente fica triste com o resultado, mas não deixamos de torcer pelo nosso Brasil. Mas infelizmente nessa copa o Brasil não fez por merecer o título do Hexa", declarou Maria.
Ela também destacou o esforço isolado do camisa 7 e pediu renovação. "O Vinicius Junior foi o que mais entregou nessa copa e fez por merecer. Acredito que a seleção deveria ter investido em jogadores mais novos, muitos estavam com grande expectativa de poder jogar e ficaram de fora", concluiu.
A eliminação deixa mais uma vez o Brasil distante do tão esperado hexa e reacende o debate sobre os rumos da Seleção. Enquanto a Copa do Mundo de 2026 continua, o torcedor de Camaçari já começa a olhar para o próximo ciclo, cobrando raça, renovação e a volta da verdadeira essência do futebol brasileiro.
Por: Igor Santiago
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