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Uefa ameaça boicotar competições da Fifa em meio a impasse sobre entrada de investidores privados

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Uefa ameaça boicotar competições da Fifa em meio a impasse sobre entrada de investidores privados

Entidade europeia afirma que seleções filiadas não disputarão torneios da Fifa caso seja mantido o projeto de criação de empresa para administrar competições

Por: Camaçari Notícias

Foto: Christof KoepselBongartsGetty Images

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou, nesta quinta-feira (30), que as 55 federações nacionais filiadas à entidade poderão boicotar todas as competições organizadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), caso seja mantida a proposta de criação de uma empresa para administrar os torneios da entidade com participação de investidores privados.

Em comunicado divulgado após uma reunião virtual, a Uefa afirmou que nenhuma seleção nacional vinculada à entidade participará de competições da Fifa enquanto o projeto permanecer em discussão, salvo se a proposta for totalmente retirada e houver garantias formais de que não será implementada.

"O posicionamento da Uefa é claro: nenhuma seleção nacional participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja completamente abandonada e haja garantias vinculantes", informou a entidade.

Caso o impasse avance, competições como a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, poderão ser impactadas.

A proposta da Fifa foi apresentada na última terça-feira (28) e prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável por administrar as operações comerciais e os principais torneios da entidade. Pelo modelo, a Fifa manteria o controle acionário da empresa, enquanto investidores privados poderiam adquirir uma participação minoritária.

Além da Uefa, a iniciativa também recebeu críticas da Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três entidades representam 143 das 211 associações nacionais filiadas à Fifa.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a proposta e afirmou que ela será submetida à votação das associações-membro e do Conselho da entidade. Segundo ele, a venda de participação na nova empresa permitirá ampliar os repasses financeiros às federações nacionais, elevando o valor de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por associação. A expectativa da Fifa é arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões) com a operação.

Em sua nota, a Uefa classificou o projeto como uma ameaça ao futebol mundial e criticou a forma como a proposta foi elaborada.

Para a entidade europeia, a Copa do Mundo representa um patrimônio esportivo construído ao longo de gerações e não deve ser tratada como um ativo financeiro destinado a investidores privados. A Uefa também afirmou que uma proposta dessa dimensão não poderia ser desenvolvida sem ampla consulta às entidades responsáveis pela gestão do futebol.

Já a Fifa sustenta que a criação da Fifa Forward Enterprise permitirá aumentar as receitas provenientes de direitos de transmissão e patrocínios, ampliando os recursos destinados às federações nacionais nos próximos ciclos da Copa do Mundo.

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