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Infantino recua e Fifa desiste de projeto para abrir torneios a investidores privados
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Proposta enfrentou resistência de confederações e previa participação externa em subsidiária ligada às operações comerciais de competições como Copa do Mundo e Mundial de Clubes
Por: Camaçari Notícias
Foto: David SALAZAR/AFP
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou nesta sexta-feira (31) que não dará continuidade ao projeto FIFA Forward Enterprise, proposta que previa a criação de uma empresa ligada às principais operações comerciais e competições da entidade, com possibilidade de participação de investidores privados.
A decisão ocorre após dias de pressão e críticas de confederações. Uefa, Confederação Asiática de Futebol (AFC) e Concacaf se posicionaram contra a iniciativa, enquanto outras entidades passaram a discutir internamente o projeto. A Conmebol também analisou a proposta.
Apresentado pela Fifa como uma estratégia para aumentar os recursos destinados às federações nacionais e fortalecer programas de desenvolvimento, o FIFA Forward Enterprise previa uma subsidiária controlada pela entidade, mas aberta à participação minoritária de investidores externos.
A nova empresa reuniria operações comerciais relacionadas a alguns dos principais ativos da Fifa, incluindo competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A entidade sustentava que continuaria responsável pelas decisões esportivas, calendário, competições e governança.
Em comunicado, Infantino afirmou que a iniciativa foi desenvolvida para ampliar o apoio às associações filiadas, especialmente em países com maior necessidade de investimentos no futebol.
“O projeto FIFA Forward Enterprise foi concebido para criar uma base que permitisse fortalecer ainda mais as Associações-Membro da FIFA e o nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário”, afirmou.
Segundo o dirigente, a proposta somente avançaria caso tivesse apoio da maioria das federações e passasse por consultas com associações, confederações e integrantes do Conselho da Fifa. Infantino reconheceu, no entanto, que as divergências provocadas pelo projeto inviabilizaram sua continuidade.
“Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação. Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e fortalecer. Como resultado, essa proposta não terá continuidade”, declarou.
A desistência foi anunciada no mesmo dia em que Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino, deixou o cargo em protesto contra o projeto. Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-executivo do Goldman Sachs, Cordeiro havia criticado a proposta e apontado riscos para as federações e para o futuro do futebol.
Pelo modelo divulgado anteriormente, a Fifa projetava que cada associação nacional poderia receber US$ 20 milhões durante o ciclo de 2027 a 2030, frente aos US$ 8 milhões previstos atualmente. Também havia expectativa de aumento gradual dos repasses nos ciclos seguintes.
As críticas das confederações estavam concentradas principalmente na possibilidade de investidores privados passarem a ter participação nos ativos comerciais relacionados às principais competições do futebol mundial. A Uefa esteve entre as entidades que manifestaram maior resistência à iniciativa.
Após retirar a proposta, Infantino afirmou que pretende retomar as conversas com confederações, federações e demais partes envolvidas para discutir alternativas destinadas a ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol.
“Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, em um espírito de interesse comum pelo nosso esporte, com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio”, afirmou.
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