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Da obra ao tatame: Com apoio da TRONOX, karateca de Jauá impulsiona trajetória de vitórias

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Da obra ao tatame: Com apoio da TRONOX, karateca de Jauá impulsiona trajetória de vitórias

Há 28 anos representando Camaçari, o karateca Adailton Santana coleciona títulos estaduais, nacionais e internacionais enquanto enfrenta o desafio constante da busca por patrocínio.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Deivison Silva

Que o esporte é uma das maiores ferramentas de transformação social, não nos resta dúvida nenhuma. Para testemunhar na prática o impacto dessa premissa, o Camaçari Notícias foi até a orla de Camaçari, no distrito de Jauá, conversar com Adailton Santana. Aos 28 anos dedicados aos tatames, o atleta de elite e morador da localidade construiu um currículo impecável: é tricampeão baiano, campeão brasileiro e vice-campeão sul-americano.

O Início no Esporte e os Primeiros Desafios

A trajetória de Adailton nos tatames começou de forma despretensiosa nas ruas de Jauá, onde passava as tardes jogando bola com os amigos da comunidade. O destino tomou outro rumo graças ao olhar atento de Dona Jô, proprietária de uma loja de material de construção local, que mantinha uma parceria social com o professor Alberto, dono da academia Askalin.

"Certa tarde, ela me chamou e perguntou se eu não queria conhecer o esporte. Não pensei duas vezes, aceitei o convite, vim fazer as aulas experimentais e me identifiquei de imediato", relembra Adailton.

Sem condições financeiras em casa para arcar com mensalidades, equipamentos ou exames de faixa, Adailton encontrou em Dona Jô o suporte necessário para dar os primeiros passos. Ela assumiu os custos até que o jovem estivesse pronto para competir. O talento se sobressaiu rapidamente: ao alcançar a faixa vermelha, seu treinador confirmou que ele estava pronto para os torneios.

Logo nas primeiras competições municipais e estaduais, Adailton tornou-se uma figura temida nos tatames. "Tinha competição em que eu precisava chegar à paisana, sem kimono, porque já dava trabalho aos adversários antes mesmo de lutar. Já aconteceu de eu chegar e ter adversário querendo desistir de competir", relembra Adailton.

A Pausa, a Tragédia e a Reconstrução Com as Próprias Mãos

Ao atingir a faixa marrom, uma perda familiar dolorosa, o falecimento de seu avô, fez com que Adailton interrompesse os treinos. Foram oito anos afastado do esporte para focar nos estudos, na família e no trabalho como pedreiro e mestre de obras. Contudo, a paixão pelo Karatê nunca apagou. Há quatro anos, reunindo um grupo de veteranos, ele decidiu retomar a rotina na academia Askalin.

O recomeço, porém, trouxe um teste severo. Logo após o retorno, uma forte enchente alagou completamente a academia, destruindo o piso e gerando pânico entre os alunos. Diante da ameaça do fechamento definitivo do espaço, Adailton usou sua profissão como força transformadora.

"O professor pensou em fechar as portas, mas nós, alunos veteranos, nos reunimos para buscar ajuda e levantar o piso. Como eu já trabalhava como mestre de obras, parei por 20 dias, sem trabalhar para fora, e caí para dentro da reforma, quebrando tudo e reconstruindo o espaço."

Adailton Santana

Como gesto de profunda gratidão pelo serviço prestado, o professor e os colegas de treino uniram recursos e presentearam Adailton com a taxa do exame para a faixa preta, um valor expressivo que ele não teria condições de pagar no momento.

Conquistas Nacionais e a Virada com o Apoio da TRONOX

Com a academia reestruturada, Adailton iniciou uma rotina intensa: trabalhava duro nas obras durante o dia e treinava das 18h às 22h, além de vender rifas e pedir colaborações a amigos para custear suas viagens. A dedicação valeu a pena. Em Brasília, ele conquistou o cobiçado título de Campeão Brasileiro. Pouco depois, sagrou-se Vice-Campeão Sul-Americano Master, resultado que mobilizou toda a comunidade de Jauá.

A guinada para estruturar sua carreira veio a partir do projeto Praia Limpa, realizado na Praia de Jauá. Apresentado à representante Natália por intermédio de seu primo, funcionário da empresa, Adailton expôs as dificuldades enfrentadas pelos atletas locais. A resposta da TRONOX foi imediata.

Graças a esse apoio, o atleta adquiriu, pela primeira vez na carreira, seu próprio material oficial de competição, incluindo kimono, caneleiras, protetor de tórax e faixas homologadas. Até então, Adailton dependia de equipamentos emprestados por colegas.

Mostrando espírito coletivo, Adailton pediu que o incentivo não fosse restrito a ele, mas estendido a toda a academia Askalin. A TRONOX passou então a auxiliar no custeio de viagens e inscrições para competições como o Open Nacional em Aracaju e a Copa Dória em Belo Campo. Atualmente, a empresa e a academia dialogam para estruturar um projeto social permanente voltado para jovens vulneráveis da região.

Rotina Exaustiva e o Desafio Financeiro das Competições

A rotina do campeão exige disciplina férrea. O dia começa cedo com treino funcional comandado pelo professor Léo em Jauá. Em seguida, cumpre o trabalho pesado na construção civil como mestre de obras e, das 18h às 20h, dedica-se aos treinos táticos e físicos na academia.

Entretanto, o maior adversário continua sendo o orçamento. Disputar campeonatos em alto nível exige investimentos elevados que frequentemente fogem da realidade dos atletas amadores:

  • Copa Dória (Belo Campo - BA): Cerca de R$ 900,00 por atleta Campeonato Brasileiro Master (Ceará): Em torno de R$ 2.000,00 por atleta
  • Campeonato Brasileiro Sub-21: Cerca de R$ 3.500,00 por atleta
  • Campeonato Sul-Americano (Paraná): Estimativa de R$ 4.000,00 por atleta

Além do desgaste financeiro, a escassez de recursos gera um impacto físico acentuado. Para economizar, a equipe frequentemente precisa viajar de madrugada e ir direto para o tatame, sem o tempo necessário de descanso e preparação mental.

Um Chamado ao Empresariado de Camaçari

Com foco na preparação para os próximos desafios estaduais e nacionais, Adailton faz um apelo às indústrias e comércios instalados na região para que invistam no esporte amador e de rendimento.

"Deixo uma mensagem para as demais empresas do Polo Industrial e de Camaçari: sigam o grande exemplo da TRONOX. Venham conhecer os projetos esportivos da nossa cidade. O esporte salva vidas, educa e tira os jovens da criminalidade. Precisamos desse apoio para continuar levando o nome de Camaçari ao topo."

Por: Igor Santiago

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