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SEMANA DA PÁTRIA AMBIENTAL: Tronox apresenta relatórios de monitoramento marinho na orla de Camaçari
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Relatórios apresentados em evento da Semana Nacional do Meio Ambiente apontam estabilidade ecológica na orla de Camaçari; pescadores cobram mais investimentos sociais para a região.
Por: Camaçari Notícias
Foto: Igor Santiago
No âmbito das discussões da Semana Nacional do Meio Ambiente, a empresa química Tronox realizou, na manhã desta quarta-feira (3), uma apresentação estratégica para detalhar a saúde ambiental do Litoral Norte baiano. Sob o tema "O meio ambiente além do que os olhos veem", o encontro reuniu pesquisadores, colaboradores da companhia e pescadores da região em um debate restrito. O objetivo central foi avaliar o real impacto das atividades industriais na orla de Camaçari e apresentar os dados oficiais do Monitoramento Marinho e do Sistema de Disposição Oceânica referentes ao ciclo de 2025.
Operando na região desde 1968, a Tronox utiliza um emissário submarino de seis quilômetros de extensão para o descarte de efluentes tratados. Para garantir a integridade da estrutura, a empresa informou que mantém um contrato dedicado com equipes de mergulho e inspeções realizadas por robôs autônomos. Nos últimos sete anos (de 2018 a 2025), o investimento voltado exclusivamente para os programas de monitoramento oceanográfico e manutenções preventivas e corretivas ultrapassou a marca de 20 milhões de reais.
Estabilidade na biodiversidade marinha
O monitoramento oceanográfico é realizado em cooperação técnica com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com a Cetrel. Os dados biológicos e estatísticos acumulados nas últimas décadas apontam para um cenário de estabilidade ecológica na área sob influência do emissário.
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De acordo com o Dr. Francisco Kelmo, Professor de Ecologia e Biodiversidade do Instituto de Biologia da UFBA, as análises de longo prazo não apontam degradação provocada pela atividade industrial na área avaliada:
"De 2002 até 2025, nós não identificamos nenhuma alteração nem na composição e nem na estrutura dos organismos bentonicos, na região sob influência do emissário submarino da TRONOX. Tanto as algas como os organismos invertebrados mantiveram o mesmo padrão de biodiversidade e o mesmo padrão de distribuição sobre essa parte oceânica que a gente monitora ao longo de todos esses anos. O que temos são as modificações dinâmicas do próprio ambiente, em resposta as condições ambientais típicas da área, é a área mais estreita da plataforma continental, é uma área em que existe um substrato inconsolidado, encontra-se muita areia e lama no seu fundo e turbidez elevada, essas são as condições naturais. Os organismos registrados esses anos, se mostram perfeitamente adaptados a viverem nessas condições."
Sustentabilidade e transparência industrial
A coordenação de meio ambiente da Tronox reforçou que o foco dos relatórios anuais é dar transparência ao processo perante os órgãos fiscalizadores, como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), e também junto aos moradores de localidades vizinhas, como Jauá e Arembepe. Segundo os técnicos, os impactos mais visíveis na costa estão associados a fenômenos climáticos globais, como o El Niño, e não ao lançamento do efluente tratado.
Gabriel Medina, Coordenador de Meio Ambiente da Tronox, destacou o papel de responsabilidade socioambiental da companhia e o impacto dos investimentos na validação técnica dos dados:
"O que ficou claro para nós é de que temos um ambiente equilibrado, eu acho que esse é o principal ponto de conclusão dos estudos, do monitoramento que é feito a 34 anos e eu acho que isso traz um conforto para a população e para a comunidade pesqueira, a gente apoia essas comunidades pesqueiras da região, a coluna Z14 em Arembepe é uma delas. Temos um papel social junto a comunidade e é importante sempre fortalecer esse processo. Os pontos positivos que gostaríamos de destacar, estão atrelados a questão da manutenção da transparência e do nosso compromisso com a responsabilidade ambiental nessa região onde a gente opera desde 1968, mostrando que não somos apenas uma empresa que transparece ser responsavel ambientalmente, mas que somos de fato muito responsáveis pela gestão e controle do meio ambiente aqui na região. A TRONOX tem todo um programa de sustentabilidade, um programa voltado a redução e neutralização das suas emissões de gás efeito estufa, que consequentemente vão impactar na redução dos efeitos do aquecimento global. Nós temos o El ninho como um dos reflexos mais pronunciados no monitoramento oceanográfico, sendo apontado como principal impacto e não o lançamento do nosso efluente, então essa é uma contribuição que a empresa vai com certeza deixar um legado para as comunidades vizinhas."
O olhar da comunidade e a cobrança por contrapartidas
Embora os relatórios técnicos apontem conformidade ambiental, os trabalhadores do mar que acompanham as coletas sazonais, realizadas nos períodos de verão e inverno, mantêm uma postura vigilante. Para as colônias de pesca locais, além da segurança ecológica que preserva a fauna marinha, é fundamental que a presença do polo industrial se reverta em benefícios diretos para a infraestrutura e bem-estar das comunidades tradicionais da orla.
Rivelino Martins, pescador atuante na comunidade de Arembepe, esteve presente no encontro e validou a regularidade das pesquisas em campo, mas aproveitou o espaço para cobrar maior atuação social das indústrias na região:
"Esses dados positivos que foram apresentados hoje aqui condizem com a realidade, porque eles já vem fazendo esse monitoramento aqui na área do Emissário. Eu como pescador venho cobrar aqui da indústria é a contrapartida social nas comunidades. A gente toma conhecimento dos dados nesses eventos que eles fazem a coleta oceanográfica no verão e no inverno e depois vem mostrar para Jauá e Arembepe que são as comunidades mais interessadas."
Os resultados apresentados farão parte dos relatórios oficiais arquivados junto aos órgãos de controle ambiental, enquanto as lideranças comunitárias locais sinalizam que seguirão dialogando com a empresa para fortalecer o desenvolvimento e o apoio socioeconômico na orla de Camaçari.
Por: Igor Santiago
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